Os brasileiros devem gastar R$ 75 bilhões neste ano com educação, o que inclui matrículas, mensalidades e gastos com material para os ensinos fundamental, médio e superior. Segundo a pesquisa do instituto Data Popular, o aumento no valor em relação a 2012 deve ser de 5,6%, motivado principalmente pela consciência da população de que se trata de um investimento para o futuro, que a instrução dos filhos é prioridade e que a escola pública tem piorado de qualidade ano após ano.
O levantamento aponta que os gastos com ensino privado chegam até mesmo à classe baixa, que, conforme a metodologia do Data Popular, é de famílias com renda de até R$ 291 per capita, ou de no máximo R$ 1.109. A previsão é que o segmento represente 3% dos recursos usados em matrículas e mensalidades, que no total deve ficar em R$ 60,5 bilhões. Na classe média, com renda per capita entre R$ 292 e R$ 1.019 ou máxima por família de R$ 1.110 a R$ 3.875, os mesmos custos devem chegar a 32% do total.
Para o presidente estadual do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sinepe), Jacir Venturi, o País precisava passar por esse momento de valorização da educação para crescer. Ele acredita que o motivo para a busca por melhores condições de ensino tenha origem no aumento da renda do público em geral. "Prospera uma nova classe média que tem como segunda maior prioridade matricular o filho na escola particular, como uma estratégia de ascensão social", diz Venturi.
O ensino só perde para a alimentação. "A percepção de que o ensino público vem piorando, somada à priorização da educação dos filhos, leva os pais a investir tudo o que podem na educação deles", diz o sócio diretor do Data Popular, Renato Meirelles. Ele considera ainda que o grande período que as mães passam no trabalho também conta. "As principais vantagens percebidas pelos brasileiros nas escolas particulares é o regime disciplinar mais rígido, que possibilita que os pais acompanhem de perto os estudos dos filhos, e a segurança."
No Paraná, o presidente do Sinepe afirma que houve perda de matrículas em 2012 na educação básica, que engloba a infantil, a fundamental e a média, em relação a 2011. Em tempos de incentivo à escolarização da população, ele conta que isso mostra como tem crescido a procura por escolas particulares, principalmente as de ensino profissionalizante, setor com maior crescimento. "Em três anos, houve incremento de 19,3% no número de matrículas no ensino básico", conta.
No Paraná, o presidente do Sinepe conta que são 1.643 instituições de educação privada, entre básica e superior, com 600 mil alunos. Os números do setor refletem 14,3% das matrículas em ensino básico e 76% nas faculdades. Em todo o País, as instituições privadas são responsáveis por 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB).
Venturi lembra, porém, que há também aumento do número de vagas criadas em universidades públicas. "O Brasil vive um momento de maior preocupação em ter ensino superior, o que é bom, porque já teve índices tão baixos quanto os do Paraguai."

Imagem ilustrativa da imagem Previsão de gastos em 2013 com educação é de R$ 75 bi
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