Rio de Janeiro - O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), instituto ligado ao Ministério do Planejamento, reduziu a previsão de crescimento da economia brasileira em 2003, de 1,8% para 1,62%, devido aos juros altos, queda na produção e ajuste de estoques na economia, causado pelo desaquecimento no consumo interno e nos investimentos.
No primeiro trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB), que é o conjunto de todas as riquezas do País, teve retração de 0,1% em relação ao três últimos meses de 2002 e crescimento de 2% na comparação com igual período do ano passado. Para o segundo trimestre, o instituto prevê que o PIB deverá cair 0,9% na comparação com o primeiro trimestre do ano.
O consumo das famílias, pressionado pela queda no poder aquisitivo, deve ter leve expansão de 0,2% neste ano, segundo o Ipea. Previsão anterior, feita em março, indicava a possibilidade de incremento de 1% no consumo.
As projeções para investimentos foram reduzidas de 1,5% para 0,8%. Segundo o Ipea, o setor agropecuário continuará a sustentar a expansão da economia neste ano. A previsão é de crescimento de 3,7% para o setor, contra projeção anterior de 3,3%. Nesse caso, a principal razão para o incremento é a safra recorde para este ano, estimada em 116,3 milhões de toneladas.
Por outro lado, a projeção de crescimento da indústria foi reduzida de 2,3% para 1,8%. O setor de serviços deve crescer 1,2% em 2003, praticamente a mesma projeção feita anteriormente (1,1%).
A taxa básica de juros, hoje em 26,5% ao ano, deve cair quatro pontos percentuais até o final do ano, segundo previsão do Ipea divulgada ontem.
A estimativa é de que, na média do último trimestre deste ano, a taxa Selic esteja em 22,5%. Para o terceiro trimestre, o instituto espera um juro de 24,5%. No ano, a taxa média é projetada em 24,6%. Já a taxa de juro real (descontada a inflação) deve fechar 2003 com a média de 11,9%. Na média do quarto trimestre, o juro real deve ficar em 16,3%, diz o Ipea.
Para o câmbio, o instituto prevê o dólar a R$ 3,28 na média do quarto trimestre e a R$ 3,24 na média do ano.

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