Previsão da inflação ultrapassa a meta de 6,5% para este ano
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de abril de 2014
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - A projeção para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2014 subiu pela sétima semana seguida e estourou o teto da meta, limite definido em 6,5%. Segundo o boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central, a previsão para o ano saltou de 6,47% para 6,51% entre uma semana e outra. Há quatro semanas, a estimativa era de 6,28%. Para 2015, a previsão ficou estável em 6%. Há quatro semanas, a expectativa era de 5,80%.
O centro da meta de inflação é de 4,5%. É função do Banco Central fazer com que a inflação fique dentro da meta. Um dos instrumentos usados para influenciar a atividade econômica e, consequentemente, a inflação é a taxa básica de juros, a Selic.
Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida. Isso reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, mas a medida alivia o controle sobre a inflação.
O IPCA é um retrato do custo de vida das pessoas, disse o professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado. Caso se concretize a previsão de inflação de 6,51%, ele disse que os trabalhadores teriam que obter aumento de salário acima disso para que tenham ganho real e não ocorram perdas no poder de compra. A inflação afeta a vida das pessoas de uma forma brutal, disse. Há muito tempo o governo federal abandonou o centro da meta de inflação de 4,5%, disse.
Ele destacou que um dos itens que mais têm pesado na inflação são os alimentos, o que afeta muito a qualidade de vida da população, especialmente, das pessoas de baixa renda. Além disso, os serviços também têm subido bastante. Curado prevê que a alta da tarifa de energia elétrica também vai trazer pressão para o bolso do consumidor neste ano. No entanto, segundo ele, há a expectativa que a inflação ceda um pouco no segundo semestre com a melhora dos preços agrícolas.
O diretor de pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, alertou que a previsão de inflação de 6,51% é a mediana das expectativas, mas que o mercado prevê até 7,30% de inflação para este ano, levando em conta o teto das expectativas.
Ele destacou que o mercado não vislumbra medidas de austeridade impopulares, até por conta das eleições. O governo deve usar só a política monetária com aumento de juros, disse. Suzuki disse que a inflação neste patamar aponta que a macroeconomia está desequilibrada e, quem sofre mais com isso, é a população de baixa renda. Quem recorreu ao crédito, também vai pagar mais caro com o aumento dos juros. Ele acredita que a inflação continue tendo pressões de alimentos, serviços e vestuário.
O Banco Central ainda manteve a previsão da Selic em 11,25% neste ano e do dólar em R$ 2,45. (Com agências)



