Será de R$ 2,1 bilhões o impacto do salário-mínimo de R$ 180,00 nas contas da Previdência Social neste ano. Com isso, o déficit da Previdência ficará em torno dos R$ 10 bilhões e só não aumentará mais por conta das reformas do sistema social, garantem técnicos do governo. O novo mínimo começa a valer no próximo domingo, mas só será pago a partir de maio aos aproximadamente 13 milhões de aposentados e de pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os recursos já estão estipulados na lei orçamentária aprovada pelo Congresso no final do ano passado. O presidente Fernando Henrique deve assinar a Medida Provisória que prevê a elevação antes da viagem que fará hoje aos Estados Unidos.
Mesmo com o reajuste que é de 12,5% em termos reais, ou seja, já descontada a inflação do período, o mínimo não corresponderá a US$ 100,00, como alardeavam os congressistas durante a elaboração do Orçamento no ano passado. Se fosse considerada a cotação média do dólar de ontem, o novo salário deveria ser em torno de R$ 212,00. O valor de R$ 180,00 corresponde a cerca de US$ 85,00.
O aumento do mínimo pode proporcionar um ganho real médio de 25% no poder de compra da população em relação ao custo da cesta básica neste ano. Essa será a primeira vez desde a implantação do Plano Real que o poder de compra dos trabalhadores e aposentados que recebem o mínimo por mês ultrapassará a casa dos dois dígitos.
O presidente estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de São Paulo, Antonio Carlos Spis, condenou ontem o valor do mínimo. ‘‘Este valor é irrisório e traduz a pauperização do povo brasileiro. É o menor salário mínimo do Mercosul. É menor até que o do Paraguai’’, destacou Spis. Atualmente, o salário mínimo do país vizinho está em 680 mil guaranis, o que corresponde a R$ 370.
Segundo Spis, a CUT defende um mínimo médio de R$ 240, que é o valor adotado pelo Mercosul. ‘‘Na verdade, queremos chegar ao salário mínimo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), que é de cerca de R$ 1 mil. Mas é utópico achar que o governo bancará este valor devido à fragilização em que a economia brasileira se encontra. Mas os R$ 240 poderiam ser perfeitamente atendidos.’’

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