Brasília - O Ministério da Previdência Social vai rejeitar a reivindicação de entidades representativas dos aposentados, que querem a correção de 8,57% no valor dos benefícios superiores a um salário mínimo. Ao contrário do que argumentam os aposentados, o governo sustenta que esses benefícios não vêm sofrendo perdas em relação aos salários pagos aos trabalhadores da ativa e, por isso, vai insistir na correção de apenas 3,3% concedida neste ano.
De acordo com uma comparação feita pelos técnicos da Previdência, os valores médios das aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e os salários dos trabalhadores, com base em dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, estão quase empatados.
No ano passado, por exemplo, a renda média dos trabalhadores com carteira assinada foi de R$ 1.030,23 enquanto o valor médio das aposentadorias por tempo de contribuição foi de R$ 1.044,78. O valor médio de todos os tipos de benefícios previdenciários (aposentadorias, pensões, auxílios-doença, etc), que em 2006, foi de R$ 576, 54, representou 68% do rendimento médio de todos os trabalhadores ocupados (com ou sem carteira assinada), R$ 842,61. Essa equivalência vem se mantendo desde 2003, segundo o levantamento.
''Os números mostram que a reclamação dos aposentados não se sustenta'', afirmou à reportagem o secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer. As queixas dos aposentados ganharam corpo depois que o INSS anunciou que dará 3,3% de reajuste este ano que corresponde ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), apurado pelo IBGE, de abril de 2006 e março deste ano.
Na última quinta-feira, entidades de aposentados tentaram, em vão, protestar junto ao ministro da Previdência, Luiz Marinho. Na quarta que vem, junto com centrais sindicais, farão novos protestos em Brasília e São Paulo, na tentativa de forçar o governo a abrir negociações para rever o porcentual.
Eles querem que os benefícios com valores superiores a dois salários mínimos tenham o mesmo reajuste de 8,57% dado ao salário mínimo este ano, que elevou o valor de R$ 350 para R$ 380 em 1º de abril. O presidente da Confederação Brasileira dos Aposentados (Cobap), Benedito Marcílio, diz que há uma perda acumulada de 70% nos valores dos benefícios superiores ao mínimo desde 1988, quando acabou a indexação dos benefícios previdenciários ao salário mínimo.
A vinculação foi mantida apenas no piso. Cerca de oito milhões de segurados recebem mais que o mínimo, enquanto 16 milhões ganham o piso previdenciário. Para Helmut Schwarzer, está havendo uma confusão entre a política de recomposição do salário mínimo e a política de reajuste de benefícios. ''Não cabe negociações porque aposentadoria não é salário e o governo não é patrão dos aposentados'', afirmou. O secretário lembrou ainda que, segundo o Dieese, muitas categorias profissionais não tiveram aumentos reais, e outras nem mesmo a reposição de inflação, em 2006. ''Já os segurados do INSS têm a garantia em lei da correção pela inflação, o que ninguém mais tem'', comentou.

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