Brasília - A Previdência Social quer recuperar, até o final do ano, R$ 15 bilhões em créditos sonegados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Para isso serão auditadas três mil empresas, informou o secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Álvaro Sólon. ''O País amadureceu muito nas últimas décadas e hoje não há mais espaço para sonegadores, corruptos e fraudadores'', disse Sólon.
De acordo com o secretário, a Previdência Social já conseguiu com a ação fiscal recuperar R$ 4 bilhões até o final de agosto. Ele explicou que a ação dos fiscais vem sendo dirigida, primeiro sobre os grandes contribuintes, depois sobre as empresas que fizeram o parcelamento especial (também conhecido como Refis 2), se estendendo ainda sobre os segmentos, como por exemplo a construção civil, cujo cruzamento de dados indica que pode estar havendo sonegação.
''A Previdência Social é o maior programa de transferência de renda hoje e quem deixa de cumprir suas obrigações com o INSS está solapando um patrimônio que pertence ao conjunto da sociedade'', afirmou o secretário-executivo. Ele explicou que a ação da Previdência Social não se limita à auditoria nas empresas. Ela avança sobre os benefícios concedidos com indícios de irregularidade. A ampliação da força-tarefa, anunciada nesta quinta-feira pelo ministro Ricardo Berzoini, tem justamente o propósito de comprovar as fraudes e suspender o pagamento dos benefícios inadequados.
Com a investigação sobre os benefícios, a Previdência estima que pode deixar de pagar até R$ 4 bilhões no período de um ano, caso se confirme a fraude em um milhão de aposentadorias e pensões. Outro foco da ação do INSS é sobre as empresas que expõem seus trabalhadores a agentes nocivos à saúde. Depois que passou a incidir uma alíquota adicional de até 12% sobre essas empresas, caiu pela metade o número de trabalhadores nessa situação informados à Previdência Social.
Para Sólon só existem duas alternativas para ''essa crise de salubridade''. Ou as empresas estavam informando incorretamente antes ou estão escondendo a verdade agora. Nesse último caso, os trabalhadores correm o risco de, na hora de solicitação da aposentadoria, não serem beneficiados com o menor tempo de contribuição, conforme determina a lei.

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