Previdência privada: quando vale a pena?
Especialistas orientam sobre o que é preciso levar em consideração na hora de escolher o melhor tipo de investimento para o futuro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de julho de 2019
Especialistas orientam sobre o que é preciso levar em consideração na hora de escolher o melhor tipo de investimento para o futuro
Aline Machado Parodi - Grupo Folha 

A reforma da Previdência, aprovada em primeiro turno no plenário da Câmara dos Deputados, traz mudanças na idade, no tempo de contribuição e no cálculo para definição do valor do benefício. As iminentes mudanças têm feito muitas pessoas procurarem informações sobre formas de complementarem a renda após a aposentadoria, como por exemplo os planos de previdência privada. Mas até que ponto este tipo de investimento vale a pena?
A resposta vai além de um simples sim ou não. Segundo especialistas do setor financeiro, é preciso levar em consideração fatos como o tempo que falta para a aposentadoria, o perfil do investidor, e qual padrão de vida que a pessoa deseja.
Para aqueles que estão às portas de usufruir do descanso após uma vida de trabalho, mas que com as novas regras poderão ter o benefício reduzido, os especialistas aconselham apostas na diversificação de investimentos.
“Para quem está próximo de se aposentar, que está no fim do seu ciclo financeiro, não vale a pena [previdência privada]. É melhor optar por outro tipo de investimento, com estruturas de curto e médio prazo como uma carteira com CDB, CDI e tesouro direto com prazo menor, de três a cinco anos”, aconselha João Botosso, planejador financeiro da youp! Financial Group.
O analista de investimentos da Bravus Investimentos, escritório credenciado da XP Investimentos em Londrina, João Vitor Souto, lembra que para a previdência privada valer a apena, o prazo de investimento deve ser no mínimo de cinco anos. “É preciso um horizonte de pelo menos cinco anos para atingir alíquotas de imposto de renda que façam sentido. Quanto mais tempo a pessoa puder contribuir, mais preparado vai estar para garantir um futuro melhor”, disse Souto.
Mas para aqueles trabalhadores que estão no meio do caminho, faltando dez, 15, 20 anos para a aposentadoria ou aqueles que estão iniciando no mercado de trabalho, os planos privados são boas opções para complementar a renda desde que se preste a atenção em detalhes importantes.
“A previdência privada exige aportes mensais até a época em que começará a ser sacado esse investimento. Isso obriga o investidor a manter a rotina de aplicações, o que é bom. Mas você precisa lembrar que durante esses anos de pagamentos, você corre o risco de ver seu poderio financeiro diminuir e, consequentemente, ver sua capacidade de investimento diminuir também. Neste caso, você pode diminuir o valor da contribuição, mas isso também vai diminuir seu resultado no final”, afirmou Botosso.
Na hora de contratar um plano complementar, é preciso primeiro definir qual o padrão de vida que a pessoa quer no futuro e, então, fazer projeções de como atingir os valores para ter esse padrão.
“Neste caso, para as projeções é necessário o apoio profissional, que ajudará a definir quanto tempo a pessoa terá que contribuir para atingir o patamar que ela quer, quanto deverá aplicar e qual reserva terá”, explicou o planejador financeiro da youp!
MODELO
Definido isso, vem a parte técnica: qual tipo de previdência. Hoje há o PGBL que permite o abatimento no Imposto de Renda. “Ele traz um benefício fiscal importante, pois permite abater no Imposto de Renda devido. Você vai pagar menos imposto no próximo ano, chegando ao máximo de 12% da renda bruta”, disse Botosso. Esse modelo é indicado para quem faz a declaração do IR completa e é tributado na fonte.
O outro tipo é o VGBL, que não tem incentivo fiscal. A principal diferença entre os dois está na tributação. No PGBL o imposto será tributado sobre o capital e o rendimento; já no VGBL, o IR será apenas sobre o rendimento do período acumulado. A tabela de tributação pode se regressiva ou progressiva.
Na regressiva, começa com alíquota de 35% e cai 5% a cada dois anos, podendo atingir 10% em dez anos. Já no regime progressivo quando o valor aplicado for resgatado será retido 15%, mas há um ajuste na base anual do IR, que dependendo do enquadramento pode zerar ou chegar a 27%.
DE OLHO NAS TAXAS
É importante ficar atento às taxas para não perder dinheiro. Quanto mais taxas tiver, menor será o rendimento. Há as taxas de carregamento, que são pagas cada vez que se faz um aporte de recurso e costumam variar entre 1% a 5%. A taxa de administração e a taxa de saída. “O ideal é que seja isenta de taxa de carregamento e que a taxa de administração seja menor de 1%. Senão, no longo prazo não valerá a pena”, afirma Botosso. Também é importante ficar atento aos prazos de carência para resgate do investimento.
O sistema é muito flexível, permite aportes únicos, alteração de valores e resgates. Mas, Botosso frisa que sempre que houver alterações de valores ou paralisação dos aportes é preciso fazer uma nova projeção com expectativa de vida para atualizar os valores.
PLANEJANDO O FUTURO
Há sete anos, o empresário Marcelo Pinheiro, 44, decidiu fazer um plano de previdência privada para ele, a mulher e o filho. Na época era o melhor investimento a longo prazo. Hoje, com mais experiência e conhecimento sobre finanças, Pinheiro diversificou sua carteira e está sempre em busca de opções com melhor rentabilidade.
Ele continua apostando na previdência privada, mas trocou de administradora para garantir menores taxas de administração e maior rendimento. Quando contratou o plano, a projeção de resgate do investimento era para 25 anos, mas ao longo do tempo fez ajustes que reduziram para 20 anos essa projeção.
Nas suas contas faltam cerca de 10 anos e meio para começar a usufruir do rendimento. “Determinei uma data para desfrutar da aposentadoria e fiz o planejamento em cima disso”, contou o empresário.
Pinheiro conta que sempre teve preocupação com o futuro e buscou formas para não ter somente o básico. Para ampliar o capital, ele aconselha que as pessoas procurem um agente financeiro, analise das propostas com atenção, ficando atento às taxas. “Não adianta tentar fazer sozinho. São muitos detalhes para você ter uma rentabilidade e retorno com a administração”, orienta e ressalta que não há idade para começar a poupar e nem limite para a projeção do ganho mensal, só é preciso ter clareza do objetivo do investimento.
Ele comenta que a previdência privada é uma boa opção, principalmente no caso de pessoas que recolhem INSS sobre o pró-labore, para garantir uma renda maior e não ficar amarrado à idade para se aposentar.


