Imagem ilustrativa da imagem Previdência privada bate recorde de crescimento


O mercado brasileiro de previdência privada bateu recorde de crescimento em outubro. Segundo a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), a captação líquida – diferença entre contribuições e resgates - do mês ultrapassou R$ 4 bilhões, um crescimento de 56,7% na comparação com o mesmo mês de 2015. No acumulado do ano, o crescimento da captação líquida é de 21%. No período de 12 meses encerrado em outubro, 578.445 brasileiros (pouco mais do que a população de Londrina) aderiram à previdência privada, totalizando 12,8 milhões de pessoas.
O bom momento do mercado, segundo analistas, está relacionado com a Reforma da Previdência, prometida pelo governo federal, cujo projeto de lei foi enviado ao Congresso na semana passada. Entre outras propostas, está o estabelecimento de uma idade mínima de 65 anos para a aposentadoria e o mínimo de 49 anos de contribuição para se obter o benefício integral. Vendo a aposentadoria oficial ficar mais distante, os brasileiros estão recorrendo à previdência privada.
Joelson Sampaio, professor de finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), de São Paulo, diz que o principal motivo para o crescimento dos planos particulares é a insegurança que a população está sentindo em relação à Previdência oficial. "Se realmente ela sofrer as modificações que estão sendo propostas, o pessoal vai procurar cada vez mais uma forma alternativa de ter renda no futuro, buscando os planos privados", prevê.
A Previdência Privada, segundo Sampaio, é a melhor alternativa para o investidor que não tem disciplina. "A pessoa programa o valor que é descontado todo mês na conta dela. Não precisa ficar acompanhando", declara. Mas, segundo ele, existem alternativas. "Um bom investimento para o futuro são os títulos do Tesouro Nacional de longo prazo. Eles vão proporcionar uma rentabilidade melhor." Os mais indicados, de acordo com o professor, são as Notas do Tesouro série B. "É possível investir em papéis com vencimentos em 2035 e 2050, por exemplo."

PRESSÃO DOS BANCOS
A planejadora financeira do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF), Juliana Sitta Queiroz, não atribui o crescimento da Previdência Privada apenas à insegurança das pessoas em relação à reforma que está sendo discutida em Brasília. "Esse crescimento, para mim, está mais relacionado ao esforço que os bancos estão realizando para vender planos privados de previdência para terem resultados", conta.
Juliana orienta o investidor a tomar cuidado com o produto. Mais do que outro, deve ser adquirido dentro de um planejamento a longo prazo. "O banco nem conhece direito o cliente e suas necessidades, mas tem de vender previdência. As pessoas, às vezes, compram porque confiam no gerente."
A planejadora ressalta não ser contra os planos privados. Uma das vantagens do investimento, segundo ela, é que os recursos não vão para inventário no caso do falecimento do segurado durante a fase de contribuição. "Vão direto para o beneficiário que foi indicado pelo titular."
Mas se a morte ocorre na fase do gozo do benefício, a situação é diferente. Quando se adquire uma previdência privada, o investidor sabe exatamente com qual idade passará a receber o benefício. Terminado o período de contribuição, ele precisa decidir se saca todo o valor acumulado ou se transforma esse montante em benefício vitalício a ser recebido em parcelas mensais. Se opção for a segunda, o benefício cessa imediatamente com a morte, mesmo que tenha transcorrido pouco tempo após a decisão tomada.

Expectativa de vida
Juliana lembra ainda que, ao comprar uma Previdência Privada, o poupador precisa conhecer sua tábua atuarial. Trata-se de uma tabela com cálculos que envolvem expectativa de vida do segurado. As tábuas são atualizadas sempre que a expectativa do brasileiro aumenta. "Às vezes, o banco oferece um segundo plano de previdência privada para o cliente, alegando que o novo tem uma rentabilidade maior. Mas, pode haver uma desvantagem na tábua atuarial", explica. Quando a expectativa de vida aumenta, o benefício tende a ser menor. Outro conselho para quem vai comprar uma previdência privada é comparar taxas de administração e de carregamento.

mockup