Esta semana será crucial para a Argentina – o que não é novidade nos últimos dois meses – acelerar a obtenção da blindagem financeira que vem sendo preparada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial (Bird) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ontem, além de iniciar os primeiros contatos com os técnicos do FMI, o governo enviou ao Congresso o projeto de lei da reforma da previdência social, que pode transformar-se no centro de um novo conflito político entre a União Cívica Radical (UCR) e a Frente País Solidário (Frepaso), os dois partidos que sustentam a Aliança.
Temendo essa reação contrária de seus ‘‘aliados’’, o presidente Fernando de la Rúa preferiu enviar a proposta ao Congresso via projeto de lei, descartando o decreto prometido há pouco mais de 15 dias. Mas, nem por um e nem por outro lado, a tarefa do governo de contar com uma nova previdência a partir de janeiro do próximo ano parece estar fácil. Mesmo que de la Rúa volte atrás por uma segunda vez consecutiva, o governo terá pela frente de novo a Frepaso, que ameaçou apresentar um decreto para impedir a reforma da previdência via decreto lei. Ou seja, o governo se encontra em uma verdadeira encruzilhada, justamente na semana em que os técnicos do Fundo começam a analisar as contas do país e as suas necessidades financeiras para sair do sufoco econômico em que se encontra.
Para piorar sua situação, o presidente Fernando de la Rúa, que completará um ano de governo no dia 10 de dezembro, tem outra árdua tarefa: a aprovação do Orçamento do próximo ano. Embora o projeto inicial tenha passado pela Comissão de Finanças da Câmara, o Orçamento de 2001, que poderá ser votado hoje, traz uma série de modificações feitas para atender às pressões das províncias.
Outra mudança prevista é a lei de responsabilidade fiscal, que traz novas metas para o déficit nas contas do governo nos próximos cinco anos até atingir o tão sonhado equilíbrio fiscal.

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