As contas do governo federal registraram em setembro o pior resultado do ano: um déficit de R$ 584 milhões pelo conceito primário (receitas menos despesas).
Contabilizando-se os gastos com juros, o déficit chega a R$ 2,83 bilhões. O mau resultado foi provocado pela Previdência, que precisou no mês passado de um repasse emergencial de R$ 1 bilhão.
Por causa desse mau resultado, nos próximos dias o governo
anunciará um corte sobre as despesas de todos os ministérios, nos meses de outubro a dezembro. O secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guimarães, explicou que o governo precisou refazer as contas não só por causa da Previdência, mas também porque as receitas estão abaixo do esperado.
Em setembro, o Tesouro teve receitas de R$ 8,691 bilhões e despesas de R$ 9,275 bilhões, sem contar o gasto com juros reais, que foi de R$ 1,273 bilhão. Nos nove primeiros meses do ano o resultado operacional (considerando juros e correção monetária) foi um déficit de R$ 13,239 bilhões, enquanto no mesmo período do ano passado o déficit havia sido de R$ 11,984 bilhões.
A dívida interna saltou de R$ 88,512 bilhões em agosto para R$ 97,024 bilhões em setembro. O responsável por esse péssimo desempenho, segundo Guimarães, foi uma operação em que dívidas do governo federal com estatais privatizadas foram transferidas para o Tesouro, em troca de Notas do Tesouro Nacional da série P (NTN-P), num total de R$ 7,6 bilhões. Essas dívidas, segundo admitiu o secretário, não estavam contabilizadas em lugar algum.
Para aliviar a pressão sobre o caixa da Previdência, o Tesouro repassou para lá, em setembro, os recursos para pagamento de pessoal a serem gastos até o final do ano. ‘‘Não resolve o problema, mas alivia até que tenhamos uma reprogramação de gastos’’, explicou Guimarães. ‘‘Será necessário um aporte adicional de recursos.’’

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