São Paulo - O ministro da Previdência e Assistência Social, Ricardo Berzoini, prometeu fazer um ''raio x'' de todas as empresas do País, por meio de um sofisticado sistema de informática, que vai mapear os contribuintes. Ele anunciou a medida ontem, durante sua visita à cidade de Aparecida, no Vale do Paraíba, onde participou de debates com representantes de entidades de aposentados e pensionistas de todo os Estados.
O objetivo, segundo ele, é evitar e descobrir eventuais fraudes contra os cofres públicos, além de obter dados mais precisos da arrecadação de cada Estado. Ele disse que, atualmente, o levantamento de dados é feito pela Dataprev (empresa responsável pelo serviço de informatização da Previdência), que está defasada e não dispõe de recursos para investir em novas tecnologias.
''Vamos viabilizar recursos maiores ainda este ano para investir no setor. Não vamos usar verbas orçamentários, pois não há um volume, previsto para este ano, compatível às necessidades para melhorar esse serviço. A proposta é fazer empréstimos de fundo sociais, como por exemplo, o fundo de amparo ao trabalhador.'' Para o ministro, o mapeamento vai auxiliar na fiscalização das empresas, permitindo que ela seja mais eficiente e rápida. As empresas poderão ser estudadas por tamanho, ramos de atuação, localização, etc. ''Com esse trabalho iremos conciliar a inteligência humana a informática e obtermos informações dirigidas e não aleatórias.''
Outro ponto defendido pelo ministro para otimizar a discussão da reforma é a criação de uma página na internet no site do Ministério da Previdência - o qual todos poderão ter acesso e deixar suas propostas. Além da tecnologia, Berzoini pretende continuar no ''tete-a-tete'' com entidades de aposentados e pensionistas durante os próximos 90 dias - prazo que pretende discutir e recolher propostas para a reforma da Previdência.
Neste domingo, ele deu início a sua peregrinação. Participou de uma missa na Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no Vale do Paraíba, em homenagem ao dia do aposentado (comemorado no último dia 24) . O culto foi acompanhado por cerca de cinco mil pessoas - vindas em caravanas de todos os Estados.
Após a celebração, o ministro se reuniu com representantes da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap) - que aproveitaram para fazer suas reivindicações. O encontro durou menos de uma hora. Berzoini ressaltou que neste período o governo não apresentará propostas: ''Iremos debater com a população.''
Ele disse também que a reforma da Previdência é o principal programa de combate à fome no País. De acordo com ele, a maioria dos aposentados vive com salários iguais ou menores que o ''mínimo''.
Por volta das 11 horas, o ministro seguiu para a cidade de Guaratinguetá, onde participou de mais um debate: desta vez com vereadores e representantes de outras entidades locais. Questionado sobre o novo teto para os contribuintes, a fiscalização da entrada de estrangeiros no País, a aposentadoria para militares e aqueles que exercem cargos públicos e a regularização do mercado informal, Berzoini respondeu que tudo está sendo analisado. O ministro enfatizou que ''nesse governo, ninguém vai chamar aposentado de vagabundo''.
Os aposentados defendem uma Previdência Social básica de dez salários mínimos, a volta da data base para o dia 1º de maio, a garantia de planos de saúde e remédios genéricos para categoria.

mockup