Prévia do PIB tem alta de 0,77% em outubro
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sábado, 14 de dezembro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A economia brasileira fechou outubro com crescimento de 0,77% em relação a setembro, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado ontem e considerado como a prévia do Produto Interno Bruto (PIB). Os números apontam para a recuperação da produtividade no quarto trimestre, depois da notícia de que o PIB oficial, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), encolheu 0,50% nos três meses anteriores.
Apesar do resultado, economistas afirmam que não houve surpresa, já que a comparação foi com um período tradicionalmente fraco da economia. Por isso, veem poucas chances de o PIB fechar o ano além dos 2,50% indicados pelo governo federal, o que os analistas ainda consideram pouco.
O IBC-Br subiu de 145,99 pontos em setembro para 147,12 em outubro, o maior nível desde abril, quando foi de 147,14, na série ainda sem ajuste sazonal. Em relação a outubro do ano passado, o indicador foi 2,82% maior. No acumulado de janeiro a outubro, a variação foi de 2,91% e, no acumulado de 12 meses, de 2,59%.
Para o professor de economia Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios, o terceiro trimestre é considerado como período de entressafra, porque conta com poucas exportações ligadas ao agronegócio e baixa atividade industrial. "No quarto, há a vantagem do crescimento da indústria."
Leite considera que o percentual de outubro pode parecer alto, mas deve ser menor em novembro e dezembro. "Não vejo possibilidade de o crescimento no País ser maior porque estamos em um momento de esgotamento do modelo de expansão do crédito e do consumo."
O professor de economia Antônio Eduardo Nogueira, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirma que a injeção de dinheiro pelo 13º salário não deve ser o bastante para elevar o índice, já que as famílias estão endividadas. "A economia brasileira precisaria crescer no mínimo 3% ao ano, mas hoje não consegue se equiparar nem mesmo aos países vizinhos, mesmo com as obras da Copa e da Olimpíada."
Ele lembra que a indústria enfrenta dificuldades neste ano, principalmente para exportar, o que prejudica o crescimento do País. "Temos apenas incentivos esporádicos, uma desoneração aqui e outra ali. Apesar do agronegócio ter sua importância, o que agrega valor ao PIB é a indústria e não adianta só exportar soja e minério de ferro para depois importar laminados", critica o professor da UEL.
O economista da Trevisan diz que as concessões promovidas pelo governo nos últimos meses são bem-vindas, mas que estão atrasadas em dez anos, ao menos desde o início do governo Lula. "Não dá para esperar por melhorias já no ano que vem, porque são obras que demoram para dar fruto", diz, ao prever avanço semelhante para a economia em 2014.
Por outro lado, o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio Leal, acredita que mesmo que o IBC-Br venha "zerado" em novembro e dezembro, o dado de outubro garantiria um PIB de quase 0,8% no quarto trimestre. "É uma boa indicação de que não haverá retração da economia ou crescimento nulo nos três últimos meses do ano."
Ele projeta uma expansão de 0,5% do PIB no quarto trimestre, com viés de alta. A estimativa do Banco ABC Brasil para o PIB em 2013 é de 2,2%. (Com Agência Estado)



