Conhecido como a prévia do Produto Interno Bruto (PIB), o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) aumentou 0,24% em fevereiro de 2014 ante janeiro, conforme divulgado ontem pelo BC. O indicador desacelerou em relação aos 2,35% de janeiro sobre dezembro, mas não surpreendeu analistas. A alta de juros e a inflação elevada inibiram investimentos privados e a percepção é de que o governo deve esperar a eleição passar, para então fazer os ajustes necessários.
O IBC-Br foi de 146,37 pontos em janeiro para 146,72 pontos em fevereiro, na série dessazonalizada, com ajustes para a comparação de períodos diferentes. A variação foi de 4,04% sobre fevereiro de 2013, de 2,46% no bimestre sobre os primeiros dois meses do ano passado e de 2,57% em 12 meses.
A previsão é de que o crescimento do PIB deve ficar pouco abaixo de 2%, o que não está fora do planejamento da União, segundo o presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes. "O governo vai continuar tentando esticar ao máximo o índice dentro desse patamar, sem aumentar mais os juros, mesmo com a inflação perto do teto da meta."
Antunes considera que seria pior para o eleitor se houvesse um aumento inflacionário causado pelo reajuste nos preços administrados por órgãos públicos, especialmente de combustíveis derivados do petróleo, energia elétrica e transportes. "O maior problema para o governo hoje não é o crescimento do PIB, mas a sensação de pobreza que o eleitor de baixa renda pode ter caso a inflação fique muito maior", diz.
Para o professor de economia Joilson Dias, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), a alta de juros para conter a inflação levou a população diminuir o consumo e o empresariado a colocar o pé no freio em relação a investimentos. Ele afirma que a atividade econômica tem se mantido mais por gastos do governo. "Será preciso desvalorizar o real frente o dólar e ajustar o preço dos combustíveis e essa expectativa de inflação futura faz todo mundo dar uma segurada, para se preparar para o que vem por aí."
O economista Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria Integrada, diz que o resultado fraco em fevereiro confirma a avaliação de enfraquecimento da economia e também gera a expectativa de que a taxa básica de juros, hoje em 11%, não suba mais. "O IBC-Br, junto a outros indicadores que também sinalizam moderação da atividade, contribui para o encerramento do ciclo de aperto monetário."
Depois das eleições, a expectativa é que o governo promova mudanças. Antunes acredita que será preciso apertar a política fiscal, com corte de gastos por parte do governo, e gerar mais investimentos em infraestrutura, por parcerias público-privadas (PPPs) ou concessões. "Terão de fazer isso por vontade ou por força do mercado", diz.

Imagem ilustrativa da imagem Prévia do PIB aponta alta de 0,24% em fevereiro
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