Prévia do IPC mostra preços ''comportados''
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2002
Agência Estado 
Rio - A segunda prévia do IGP-M de janeiro, divulgada ontem à tarde, ficou em 0,32%. O resultado está dentro do esperado, embora mais próximo da banda de baixo das expectativas do mercado, que apontavam um índice entre 0,30% e 0,40%. O IPA, que na segunda prévia de dezembro tinha registrado deflação de 0,02%, subiu para 0,10% desta vez. O IPC teve alta de 0,78% na segunda prévia deste mês, ante 0,66% da segunda prévia de dezembro.
Neste índice ao consumidor, o grupo que se destacou foi Educação, Leitura e Recreação, com alta de 1,98%. O grupo Alimentação também mostrou grande alta, de 1,36%. Transportes teve deflação de 0,47%, já captando parte da queda de preços dos combustíveis. Combustíveis e Lubrificantes, sub-grupo de Transportes, registrou deflação de 2,52%.
O Indíce Nacional da Construção Civil (INCC) ficou em 0,37%, ante 0,73% na segunda prévia de dezembro. O IGP-M, na segunda prévia de dezembro, havia sido de 0,24%. Em 12 meses, o IGP-M acumula alta de 10,05%. Essa segunda prévia baseou-se em preços coletados entre 21 de dezembro e 10 de janeiro.
No IPA, os preços no atacado dos produtos agrícolas subiram 1,52% e dos produtos industriais caíram 0,45%. O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV, Paulo Sidney Melo Cota, afirmou que a principal fonte de pressão dos produtos agrícolas ainda é a seca da Região Sul e o excesso de chuvas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Ele observou que os preços dos bovinos mudaram da tendência, que era de queda, e passaram a apresentar alta, de 0,45% nesta segunda prévia. Isso porque as chuvas afetaram os pastos e o período de engorda dos bois foi adiado.
Por outro lado, os produtos industriais, principalmente, foram fortemente afetados pela queda do dólar. Segundo Paulo Sidney Melo Cota, se o dólar ficar estável, entre R$ 2,30 e R$ 2,35, o IPA dos produtos industriais ainda deve continuar em queda em janeiro e fevereiro.
O dólar influenciou, por exemplo, para que o preço da soja caísse 6,97% no atacado. Esta queda do dólar teve uma influência de 0,17 ponto porcentual na redução do IPA, mais do que a influência dos combustíveis, cuja pressão para baixo no índice foi de 0,14 ponto porcentual. De acordo com Cota, a redução dos combustíveis foi muito menor do que a esperada e, no IPC, a influência dos combustíveis foi de 0,11 ponto porcentual para baixo. A gasolina, com queda de 3,04%, no entanto, foi o item que maior influência teve para puxar o IPC para baixo. No atacado, a gasolina caiu 3,53%.


