Prévia do IGPM ficou em 2,61%
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terça-feira, 10 de dezembro de 2002
Agência Estado 
Rio de Janeiro A primeira prévia da inflação de dezembro medida pela Fundação Getúlio Vargas ficou em 2,61%, teto das expectativas do mercado, que previa uma taxa entre 1,80% e 2,60%. Mas, apesar da alta de preços ter sido maior do que a captada pela primeira prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de novembro, que apontara variação de 2,31%, a inflação já começa a dar sinais de desaceleração, como avalia o técnico da FGV Salomão Quadros, que coordena o cálculo do índice. Ele destaca que os preços no atacado, principal fator de propagação da inflação nos últimos meses, estão sendo os primeiros a registrar queda. No ano, o IGP-M (primeira prévia) já acumula variação de 23,93%.
O Índice de Preços por Atacado (IPA), que tem maior peso (60%) na formação da taxa, apresentou o primeiro recuo dos últimos seis meses. A queda, de 2,94%, na primeira prévia de novembro, para 2,7% este mês, não chega a ser significativa, mas ocorre devido principalmente à redução de preços em matérias-primas (brutas ou semi-elaboradas) e alimentação. Estes foram, justamente, os itens que iniciaram, em maio, a escalada inflacionária. A desaceleração nos aumentos de preços ainda não chegou ao varejo de uma maneira geral, embora também haja alguns poucos sinais de reversão.
A coleta de dados para o cálculo da primeira prévia de dezembro ocorreu ainda no mês passado, de 21 a 30 de novembro. Neste período, os índices que compõem o IGP-M apresentaram as seguintes variações: IPA, 2,70%; Índice de Preços ao Consumidor (IPC), 2,60%; Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), 2,01%. Entre os índices que compõem o IGP-M, apenas o IPA recuou. Por isso, a taxa de dezembro pode inclusive ser um pouco mais alta que a de novembro, sem que isso signifique uma tendência da inflação, na opinião de Quadros. A intensificação do processo de queda deve ocorrer de maneira gradual, ao longo dos próximos meses, disse.
Ele atribuiu a redução no ritmo de aumento de preços no atacado à mudança na curva cambial, que influencia fortemente o preço de artigos como trigo, soja, café e outras commodities. Salomão chamou a atenção também para o peso da alta dos combustíveis que, devido ao reajuste de 4 de novembro, causaram forte impacto nos preços no atacado (destaque para o óleo diesel) e no varejo (destaque para gasolina, álcool combustível e gás de botijão).


