Rio de Janeiro - A segunda prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de junho fechou em -0,66%, a maior deflação desde o início do cálculo do indicador pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 1989. A variação superou as expectativas do mercado, que apontavam para uma variação entre -0,20% e -0,50%. O resultado da inflação aumenta, na prática, as pressões para a redução da taxa Selic hoje, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
''A reunião de amanhã (hoje) realmente vai ter muita discussão. Do ponto de vista técnico, não faz muita diferença uma taxa de juros de 26,5% ou de 26%. Há espaço para uma redução de 0,5 ponto porcentual, sem comprometer o combate à inflação'', disse o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros. O economista defende o conservadorismo da política monetária, mas admitiu ontem, pela primeira vez, a possibilidade de queda efetiva da taxa. Ele pondera, entretanto, que ainda não há espaço para recuo ''mais significativo'' da taxa.
A divulgação de ontem foi a quarta consecutiva da FGV com valores negativos para o IGP-M. Antes, a fundação apurou taxa de -0,28% para a segunda prévia do índice de maio, -0,26% para o IGP-M fechado de maio e -0,47% para a primeira prévia de junho.
As duas principais mudanças da prévia divulgada ontem para a segunda prévia do mês anterior foram o avanço da deflação no atacado e a forte desaceleração dos aumentos de preços no varejo. Nesta comparação, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) encolheu de 0,72% para 0,17%. Houve desaceleração em seis dos sete grupos pesquisados no índice: alimentação, habitação, vestuário, sa© úde, educação e transportes. Destes, ocorreu deflação no grupo de alimentos (-0,18%) e de transportes (-1,03%).
No atacado, a variação passou de -0,79% na segunda prévia de maio para -1,19%. A maior diferença foi o recuo dos preços de produtos industriais, que haviam encolhido 0,14% na prévia anterior, mas este mês recuaram de forma mais forte: -1,07%. Em 14 dos 18 gêneros industriais, ocorreram desacelerações de preços. Alguns exemplos estão na siderurgia (de 2,88% para -0,26%), eletrodomésticos (de 1,33% para -2,47%) e combustíveis (de 0,16% para -3,13%).
O coordenador da FGV explica que a retração no atacado foi favorecida pelo recuo da cotação do dólar, queda dos preços de combustíveis, baixa demanda e queda dos preços agrícolas.

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