Prévia do IGP-M registra deflação
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quinta-feira, 12 de maio de 2005
Agência Estado 
Rio de Janeiro - A primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de maio registrou deflação de 0,03%. Foi o menor nível em quase dois anos. Em abril, a taxa havia sido de 0,67%, segundo informou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
De acordo com o coordenador de Análises Econômicas da instituição, Salomão Quadros, a deflação foi causada pela despencada de preços dos produtos agrícolas no atacado (de alta de 2,35% para queda de 2,70%). Isso levou à queda no indicador que tem maior peso na taxa, o Índice de Preços por Atacado (IPA), que passou de 0,81 (abril) para -0,40% (maio), o menor resultado em 23 meses.
Para Quadros, a deflação na prévia do indicador, cujo período de coleta de preços foi do dia 21 a 30 de abril, abre espaço para o IGP-M fechado de maio ser mais baixo. A queda comprova o fim da influência máxima do ''choque dos agrícolas'' na inflação do atacado, cujos preços aceleraram devido aos problemas climáticos no início do ano, que prejudicaram várias safras.
Em contrapartida, no varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) atingiu o maior nível de inflação, nesse tipo de indicador, em mais de dois anos (25 meses). O indicador subiu para 0,72% na prévia de maio, ante alta de 0,41% em abril. O coordenador justificou o aumento, informando que a elevação foi puxada pela aceleração de preços no grupo Habitação (de 0,40% para 0,78%) devido ao reajuste em tarifa elétrica residencial, cuja taxa passou de zero para alta de 2,87%.
Elevações de preços em outros dois grupos contribuíram para o aumento do IPC. É o caso de Vestuário (de queda de 0,30% para alta de 1,30%), cujos preços aceleraram devido à entrada da coleção Outono Inverno nas lojas; e o grupo Sa© úde e Cuidados Pessoais (de 0,27% para 1,22%), que sofre a influência da alta de preços de medicamentos (de queda de 0,24% para alta de 3,95%).
Quadros foi cauteloso ao comentar a inflação do varejo. Embora admitindo a influência de preços administrados, e de repasse da recente alta dos agrícolas no atacado, não descartou a possibilidade de a inflação no varejo estar acelerando devido ao aquecimento da economia, que gera aumento na demanda. ''Mesmo com a alta dos juros, a renda continua subindo. Não estamos em recessão. A renda sobe, a conta-gotas, e o crédito também aumenta'', disse.
Já o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC) subiu para 0,57% na prévia de maio, ante elevação de 0,36% em abril. O IGP-M acumula altas de 2,39% no ano; e de 9,27% em 12 meses.


