Rio de Janeiro - A primeira prévia mensal do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) recuou pela segunda vez consecutiva. Depois de encolher de 0,66% em março para 0,52% em abril, caiu para 0,42% neste mês No atacado, a deflação nos preços agrícolas compensaram um novo avanço de preços industriais, como os siderúrgicos.
Para o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, ainda há espaço para leves cortes na taxa Selic, apesar destas pressões e da instabilidade nos mercados financeiros das últimas semanas. ''Realmente, não é boa hora de ser mais ousado. Mas pode cortar 0,25 (ponto porcentual) na Selic. É muito exagero começar a inverter este negócio'', disse Quadros, referindo-se a uma eventual interrupção na trajetória da queda dos juros. Segundo ele, há um certo excesso nas reações quanto à expectativa de aumento dos juros americanos, que estavam ''anormalmente baixos'' e tendem a voltar ao normal.
O especialista da FGV argumenta que o Brasil está com fundamentos bons, citando o saldo da balança comercial, o superávit das transações correntes e o superávit fiscal primário alto. ''Já vivemos muito bem com taxas de juros americanas bem mais altas. Estão tão baixas que ainda pode subir um pouco'', comentou. Quanto ao dólar, ele afirmou que uma alta de 5% a 7% no câmbio vai causar ''muito pouca coisa em termos de inflação''.
O Índice de Preços por Atacado (IPA) fechou a primeira prévia de maio em 0,42%, taxa inferior ao 0,52% da mesma parcial no mês anterior. Os produtos agrícolas registraram forte desaceleração e fecharam em deflação de 0,23% - 1,2 ponto porcentual menor que a taxa de 0,97% em abril. Avançaram, entretanto os preços industriais. Quadros reconhece que trata-se de uma pressão nova, que pode ser entendida como ''sinal de alerta'', mas ressalta que não há aumentos disseminados no atacado. ''Isso é uma novidade que a primeira prévia está trazendo'', afirmou. No caso dos produtos siderúrgicos, o avanço foi de 0,60% para 1,47%, entre abril e maio.
Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) passou de 0,12% para 0,29% entre abril e maio, basicamente por conta das acelerações de preços nos grupos de habitação (por conta de reajustes na energia elétrica e gás de botijão), vestuário (nova coleção); saúde (medicamentos) e transportes (aceleração nos preços do álcool e gasolina). A alimentação registrou deflação (-0,05%). No ano, o IGP-M acumula alta de 4,41% e, nos últimos 12 meses, de 6,11%. O Indice Nacional do Custo da Construção (INCC) fechou a primeira prévia de maio em 0,49%.

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