Prévia do IGP-M desacelera para 0,29% em fevereiro
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sábado, 16 de fevereiro de 2013
Fernanda Nunes<BR>Agência Estado 
Rio - O cenário de preços pode ser favorável ao governo. A tendência é que a inflação perca ainda mais ritmo a partir da segunda quinzena de fevereiro, seguindo a desaceleração das hortaliças e legumes e a redução da tarifa de energia elétrica, projetou o superintendente de Inflação do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), Salomão Quadros.
A queda dos preços das matérias-primas agropecuárias, que aparece no atacado desde o quarto trimestre de 2012, também deve ajudar, ao atingir o restante da cadeia produtiva até chegar no varejo. Já em fevereiro, os primeiros sinais podem ser interpretados como tranquilizadores. O Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) - uma prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que indexa contratos como o de aluguel - demonstrou desaceleração da taxa de 0,42% para 0,29%, puxado pelo Índice de Preços ao Atacado (IPA), que passou de 0,34% para 0,05%.
No grupo de preços ao produtor, a principal influência partiu das matérias-primas brutas (de -0,26% para -2,11%), sobretudo as agrícolas, cuja inflação passou de -0,51% para -3%.
A taxa em 12 meses continua em patamar elevado, de 8,06%, ante 7,79% em janeiro. Mas a expectativa também neste caso é de melhora. Para o economista-chefe da corretora Gradual Investimentos, André Perfeito, a desaceleração deve acontecer em junho. Mas, a estimativa de Quadros é que ocorra ainda antes, por volta de abril ou maio.
Neste mês, a alta dos combustíveis em janeiro, nas refinarias da Petrobras, impediu que o IGP-10 viesse ainda menor na margem, disse o economista do Ibre/FGV. Os próximos indicadores, em compensação, devem contar com uma contribuição maior da redução da energia elétrica e ainda com a queda dos preços das hortaliças e legumes, que no primeiro mês do ano costumam ficar mais caras por causa do clima para, em seguida, baratear ao consumidor final.
"O pior já passou", avalia Perfeito. As principais pressões sobre a inflação apareceram em dezembro e janeiro, como as de cigarros, combustíveis e automóveis novos, que, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), um dos componentes do IGP-10, ficaram 1,12% mais caros neste mês, diante do fim gradual do programa de governo de incentivo ao consumo. Na mesma linha, a inflação dos automóveis usados também subiu, passando de -0,30% para 0,37%, na passagem de janeiro para fevereiro.
Nem todos os analistas de mercado, contudo, enxergam o resultado do IGP-10 de fevereiro da mesma forma. Diante dos resultados divulgados ontem, a LCA Consultores previu uma aceleração do IGP-M em fevereiro de 0,30% para 0,37%, com o argumento de que a inflação deve continuar avançando no atacado, por causa do minério de ferro, dos produtos derivados do petróleo e álcool e dos produtos químicos. O mesmo prevê o banco Fator, que reviu a projeção do indicador de 0,20% para 0,30%.


