Rio de Janeiro - Pela segunda vez em uma semana a Fundação Getúlio Vargas (FGV) anunciou deflação em um de seus indicadores. Ontem, a instituição informou que a segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de maio teve queda de 0,09%, ante alta de 0,82% em igual prévia em abril, o menor resultado em 22 meses. A primeira prévia do indicador já tinha registrado taxa negativa de 0,03% e os dois resultados foram influenciados por fortes quedas de preços na inflação do atacado.
Na segunda prévia, o Índice de Preços por Atacado (IPA), que tem maior peso no IGP-M, passou de 0,96% para queda de 0,52%, também o menor resultado desde julho de 2003, sendo beneficiado pelo recuo de preços dos produtos industriais (de 0,65% para 0,30%) e agrícolas (de alta de 1,88% para queda de 2,91%). Segundo a FGV, a queda dos preços agrícolas no atacado foi a mais intensa em seis anos, ainda influenciada pela valorização do Real ante o dólar, e pelo término da influência dos problemas climáticos - como a estiagem na região Sul -, que causaram perda de várias safras e puxaram para cima os preços do setor.
A deflação na segunda prévia, cujo período de coleta de preços foi do dia 21 de abril para 10 de maio, abre espaço para uma taxa mais baixa do índice fechado do mês. ''O IGP-M de maio tem grandes chances de ficar abaixo de 1%'', disse o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, que não informou se também apostava em deflação para o indicador de maio.
As características da inflação na segunda prévia foram parecidas como cenário já mostrado pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-10) de maio, divulgado na terça-feira, e que teve variação zero, e pela primeira prévia do IGP-M. ''Os IGPs atualmente estão em um período de taxas baixas'', comentou Quadros. O coordenador não descarta que essa queda intensa de preços no atacado, mostrada pelos três índices, possa ser repassada para o varejo, no futuro.
Ao comentar o cenário da inflação no momento, o técnico considerou que a alta de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros (sElic), anunciada na quarta-feira pelo Copom, é originada da ''luta renhida'' do Banco Central em fazer a inflação ficar dentro da meta inflacionária.
Avanço no varejo - Na contramão das boas notícias dadas pelos IGPs e IPAs, a inflação do varejo continuou acelerando na segunda prévia, a exemplo do que ocorreu na primeira prévia do IGP-M e no IGP-10 de maio. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu para 0,82% na segunda prévia, ante alta de 0,60% em abril - a maior taxa em 25 meses.
Quadros observou que o IPC ainda sofre com a influência dos preços administrados, cujos reajustes foram efetuados ainda em abril. As principais pressões foram as elevações de preço nos grupos Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,43% para 1,30%), influenciado pelo reajuste no preço de medicamentos (4,18%); e Habitação (de 0,47% para 0,73%), pressionado pela alta na tarifa de eletricidade residencial (2,97%).
Já o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC) passou de 0,36% para 0,57% de abril para maio. Com a segunda prévia de maio, o IGP-M acumula altas de 2,33% no ano e de 9,21% em 12 meses.
O Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) de até 15 de maio, teve alta de 1,03%, mesma taxa da apuração anterior, de até 7 de maio. Segundo o economista da FGV, André Braz, o índice continua pressionado por influências de preços administrados, principalmente pela alta de tarifa de eletricidade residencial (3,18%). ''O IPC-S teria sido 0,69%, e não 1,03%, se fossem excluídos os preços administrados do período'', disse.

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