Rio de Janeiro - A alta dos produtos agrícolas no atacado impulsionou a primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de junho, que subiu para 0,66%, ante os 0,42% da primeira prévia em maio. Foi a maior alta, entre as prévias do IGP-M, nos últimos nove meses. Segundo o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, mais uma vez a alta da inflação foi provocada pela influência de problemas climáticos nos produtos alimentícios e não por problemas macroeconômicos.
''Embora o índice tenha acelerado, a conclusão final não é preocupante. Os problemas climáticos são uma perturbação, mas não têm sustentação macroeconômica'', entende. Para ele os dados sobre inflação devem ser observados com cautela pelo Banco Central que, em sua avaliação, deve manter a taxa básica de juros (Selic) em 16%. ''A meu ver, não existe razão para subir a taxa de juros'', disse. Quadros chegou a brincar, afirmando que a ''inflação é inversamente proporcional à temperatura'', ao lembrar que houve antecipação da chegada do frio em algumas regiões do Brasil.
O IGP-M acumula ainda altas de 6,03% no ano; e de 8,84% em 12 meses. No âmbito do Índice de Preços Por Atacado (IPA), que subiu para 0,73% na primeira prévia de junho, ante os 0,47% na primeira prévia do índice em maio, os produtos agrícolas passaram de queda de 0,23% para alta de 1,70%. O IPA representa 60% do IGP-M.
Por sua vez, os produtos industriais passaram de alta de 0,73% para aumento de 0,37% no período. ''Esta desaceleração comprova que foi amena a influência do câmbio na inflação, com a recente alta do dólar'', disse, lembrando que os itens industriais têm ligação mais estreita com a flutuação cambial.
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que é responsável por 30% do resultado do IGP-M, ficou em 0,48% nesta primeira prévia, ante 0,29% registrado na primeira prévia de maio. ''Houve uma aceleração de preços no grupo Alimentação, que passou de 0,29% para 0,48% no período'', disse o coordenador do IPC, o economista André Braz.
Já o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC), que representa 10% do total do IGP-M, ficou em 0,63% na primeira prévia de junho, em comparação ao 0,49% registrado em igual período em maio.

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