Prévia do IGP-M aponta taxa de 1,87%
Agência Folha
Do Rio
A segunda prévia do IGP-M (Indice Geral de Preços do Mercado) de novembro chegou a 1,87%, contra 1,14% da primeira prévia. O índice foi divulgado ontem pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e se refere ao período de 21 de outubro a 10 de novembro. O número final do IGP-M sairá no próximo dia 29 e, segundo projeções da fundação, poderá ficar entre 2,2% e 2,3%. O de outubro foi 1,7%.
O economista Paulo Cota, chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV, diz que, pelos movimentos detectados até agora, a inflação anual poderá chegar a 20%. Segundo o economista, há quatro fortes argumentos favoráveis a uma pressão inflacionária neste fim de ano: a entrada do 13º salário, o rendimento negativo da poupança que incentiva o consumo , o leve aquecimento da economia típico desta época e o alongamento dos prazos de crediário. Na opinião de Cota, esse ambiente facilita o repasse dos preços do atacado para o varejo. Essa tese é contestada por alguns economistas, como os integrantes da própria equipe econômica do governo, que afirmam que não há relação entre preços no atacado e no varejo, depois de uma desvalorização cambial.
Há também quem não veja no comportamento dos últimos índices de inflação um processo inflacionário perene. A inflação continua pressionada pelo IPA (Indice de Preços no Atacado) dos três índices que compõem o IGP-M, o de maior peso no cálculo (60%). O resultado parcial de novembro indica uma alta de 2,5%, que poderá chegar a 28% no acumulado do ano.
O IPC (Indice de Preços ao Consumidor), que pesa 30% no índice geral, passou de 0,84% para 0,96%, da primeira para a segunda prévia deste mês, pressionado principalmente pelos reajustes no item alimentação. O aumento nesses produtos passou de 0,48%, da segunda prévia de outubro, para 0,97% no período equivalente de novembro.
Todos os IGPs (IGP-10, IGP-M e IGP-DI, pela ordem de divulgação) ficarão acima de 2% em novembro, segundo Cota. Os índices serão crescentes à medida que o mês for passando. A cada dez dias, há repasses a serem feitos , disse, citando o aumento constante dos produtos agrícolas. Agora, os efeitos da estiagem estão sendo sentidos mais gravemente porque os estoques estão acabando.
Os produtos agrícolas subiram 4,42% na segunda prévia de novembro, o dobro dos 2,21% da segunda prévia do mês passado. Já os industriais mantiveram uma alta elevada, embora estável: de 1,61%, em outubro, para 1,58%, na mesma comparação. O INCC (Indice Nacional da Construção Civil), de peso 10%, registrou alta de 1,02%, contra 0,7% da segunda prévia de outubro, puxado pelo reajuste em materiais de construção, cujos preços subiram 1,84%. Novembro ainda guarda fortes influências sobre o INCC provocadas pelo dissídio coletivo dos trabalhadores do setor em Belo Horizonte, que acontece até o final do mês. A capital mineira tem o segundo maior peso no quesito custo de mão-de-obra na composição desse índice.





