Prévia da inflação volta a desacelerar
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terça-feira, 22 de setembro de 2015
Fábio Galiotto <br>Reportagem Local 
A prévia da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo15 (IPCA-15) voltou a desacelerar e fechou setembro em 0,39%, abaixo dos 0,43% de agosto, dos 0,59% de julho e dos 0,99% de junho. O resultado, porém, empata com o 0,39% de setembro do ano passado, o que mantém o acumulado em 12 meses em 9,57%. Os números foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Nacionalmente, puxaram o índice de setembro as altas de passagens aéreas (23,17%) e do gás de botijão (5,34%), que corresponderam a uma terça parte dos 0,39 pontos percentuais. Regionalmente, destaca-se o impacto de 3,49% na taxa de água e esgoto no Paraná, causado pelo recente reajuste da Sanepar de 8,00% a partir de 1º de setembro.
Das 11 regiões metropolitanas pesquisadas, quatro estão com inflação acima de dois dígitos, com o maior indicador justamente para Curitiba (10,79%). Em seguida aparecem Goiânia (10,75%) e Porto Alegre (10,42%). No mês, no entanto, a cidade teve o terceiro menor índice (0,30%), atrás de Porto Alegre (0,19%) e Salvador (0,17%).
Para o professor de economia José Moraes Neto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a desaceleração da inflação é resultado da política do governo federal, de elevação dos juros para conter a alta dos preços. Porém, ele considera o custo social das medidas muito mais grave para o País do que a própria inflação. "O Banco Central quer priorizar o superavit primário para pagar juros de dívidas e o combate à inflação, mas não a geração de empregos e o desenvolvimento econômico", diz.
Moraes Neto afirma que a redução de 1,80% na taxa básica de juros, a Selic, hoje em 14,25%, seria o bastante para pagar todos os gastos com o Bolsa Família em 12 meses. "Enquanto os rentistas nadam de braçada e têm altos lucros, a população sofre", critica.
O professor de economia Carlos Magno Bittencourt, da PUC-PR, explica que a redução do consumo familiar é um dos principais motores do enfraquecimento da inflação. "Isso tem trazido estragos para o crescimento do País, porque as famílias perdem renda e emprego, o que gera esse reflexo."
Reduzir a variação dos preços até ao menos os 6,50% do teto da meta do Banco Central, contudo, é algo que não vai ocorrer, prevê Bittencourt. "O governo federal não consegue nem mesmo se articular para aprovar medidas importantes, como o corte nos gastos dos governos e a alta nos tributos. A situação vai continuar negativa se persistir esse impasse", conta, ao estimar o índice em 9,00% para 2015.
A alta de 7,78% entre janeiro e setembro no IPCA-15 é a maior para o período desde 2003, quando ficou em 8,46%. Porém, o índice mensal apresentou variação menor em setembro do que em agosto em sete dos nove grupos de consumo.
Alimentação e Bebidas foi de 0,45% em agosto para queda de 0,06% em setembro. Diversos produtos para consumo em domicílio apresentaram redução no custo, como cebola (-13,77%), tomate (-13,14%), batata-inglesa (-6,80%) e cenoura (-10,29%), informa o IBGE.
Na sequência aparecem Habitação (1,02% para 0,68%), Artigos de Residência (0,73% para 0,36%), Educação (0,78% para 0,24%), Comunicação (0,11% para 0,01%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,83% para 0,50%) e Despesas Pessoais (0,73% para 0,51%).
As duas únicas acelerações em setembro partiram de Transportes (-0,46% para 0,78%), devido às passagens aéreas, e Vestuário (0,01% para 0,36%). "É normal aumentar o preço das passagens aéreas, porque mais de 60% dos custos do setor são dolarizados, como combustíveis e leasing das aeronaves", diz Moraes Neto. "O resto, é irresponsabilidade de aumentar tarifas públicas que estavam represadas, pelo governo federal, ou para resolver problemas de caixa, pelo governo estadual", completa. (Com Agência Estado)


