Prévia da inflação tem queda e fecha maio em 0,58%
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quarta-feira, 21 de maio de 2014
Cecília França<br>Reportagem Local 
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação mensal. O índice foi de 0,58% em maio, contra 0,78% de abril, com redução na alta dos alimentos e bebidas de 1,84% no mês anterior para 0,88% agora. Pesaram mais neste mês as tarifas de energia elétrica, com alta de 3,76%, e os remédios, que ficaram 2,10% mais caros. Como resultado, as despesas com Saúde e Cuidados Pessoais (1,20%) e Habitação (1,19%) registraram em maio as maiores variações entre os grupos pesquisados.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comemorou o resultado prévio e afirmou que o cenário para a inflação é positivo. Segundo ele, o IPCA-15 mostra que preços estão caindo "firmemente" e vão continuar caindo nos próximos meses. No entanto, nos últimos 12 meses, o índice acumula alta de 6,31%, bem próximo do teto da meta, de 6,5%. Economistas ouvidos pela FOLHA afirmam ser muito cedo para falar em queda na inflação.
Para o economista e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Londrina, Márcio Massaro, uma mostra de três meses é necessária para se falar em tendência. Ele lembra que há expectativas de aumento da energia elétrica ainda este ano e os alimentos devem voltar a subir.
"Todas as expectativas apontam para o teto da meta até o final do ano", afirma.
Na opinião do economista, o cenário eleitoral e a Copa do Mundo também terão influência negativa no índice. Para ele, o governo tentará conter os preços de produtos administrados como combustíveis até outubro, podendo, inclusive, recorrer a nova alta na taxa básica de juros (Selic). "Na Copa, as coisas vão inflacionar normalmente, vamos ter procura além do que a gente pode atender. E depois das eleições, muita coisa deve acontecer", diz.
Altos e baixos
Apesar da desaceleração de alta, o grupo Alimentação e bebidas ainda deu a maior contribuição para o IPCA-15 de maio, o equivalente a 0,22 ponto porcentual da taxa de inflação de 0,58% verificada no mês. Em abril, os alimentos tinham respondido por 0,45 ponto porcentual da inflação de 0,78% registrada no mês.
Ficaram mais baratos em maio a farinha de mandioca (-4,21%), hortaliças (-3,90%) e frutas (-1,04%). Ao mesmo tempo, subiram menos itens como a batata inglesa (de +26,96% em abril para +13,75% em maio), leite longa vida (de +5,70% para +2,28%), feijão carioca (de +12,75% para +1,50%), tomate (de +14,80% para +1,42%) e carnes (de +2,83% para +0,45%).
O grupo Transportes registrou deflação dentro do IPCA-15 de maio. As despesas das famílias com transportes recuaram 0,33% no mês, após a alta de 0,54% registrada em abril. As passagens aéreas ficaram 21,26% mais baratas, o que resultou na maior contribuição negativa para a inflação do mês, um impacto de -0,11 ponto porcentual. Os preços dos combustíveis também caíram: o etanol recuou 1,13%, enquanto a gasolina teve redução de 0,03%. Em maio, o grupo Transportes teve impacto negativo de 0,06 ponto porcentual sobre o IPCA-15 do mês. (com Agência Estado)



