Prévia da inflação tem pior janeiro em 13 anos
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sábado, 23 de janeiro de 2016
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Os números da economia nacional apresentados até agora apontam para um cenário nebuloso em 2016. Ontem, foi a vez do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) jogar mais uma ducha de água fria em diferentes setores e, claro, na população, já que todos dependem de uma economia controlada. O órgão vinculado ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) utilizado pelo governo federal para balizar a inflação , que registrou alta de 0,92% em janeiro, após subir 1,18% em dezembro de 2015. Trata-se do maior resultado para janeiro desde 2003, quando atingiu a marca de 1,98%. O acumulado de 12 meses é de 10,74%.
Mesmo desacelerando em relação ao mês anterior, os grupos analisados apontaram elevações significativas. O resultado de maior impacto foi de alimentação e bebidas, com alta de 1,67%, contra 1,45% de janeiro de 2015. Vários produtos alimentícios continuaram com aumento de preços e alguns deles mostraram elevação: cenoura (23,94%), tomate (20,19%), cebola (15,07%), feijão carioca (8,95%), açúcar refinado (7,81%) e batata-inglesa (7,32%). Em comparativo a dezembro, vale destaque o aumento dos preços nos grupos de despesas pessoais (1% ante 0,56% de dezembro) e saúde e cuidados pessoais (0,66% contra 0,61%).
O levantamento mensal do IBGE analisa 13 áreas urbanas, sendo uma delas Curitiba, com peso no índice geral de apenas 7,79%. Mesmo assim, vale dizer que o IPCA-15 da Capital do Estado caiu de 0,70% em janeiro do ano passado para 0,53% em 2016. Entre os grupos que tiveram a maior alta estão cereais, legumes e oleaginosas (6,74%), despesas pessoais (0,96%) e alimentos e bebidas (0,87%). Os que mais sofreram retração foram combustíveis (-0,13%) e serviços médicos e dentários (-0,05%).
Desconfiança
Doutor em economia e professor convidado da Fundação Getúlio Vargas (Isae/FGV), Alivínio Almeida explica que há dois fatores para explicar tal índice: o movimento natural de preços de alguns itens específicos nesta época do ano, mas principalmente a desconfiança interna e externa do mercado acerca da capacidade do governo em controlar a política econômica. "Os atores econômicos, desconfiados acerca do que está por vir, se protegem através da elevação de preços. Essa é uma reação natural. Isso, obviamente, começa a se refletir na inflação, sendo este um caminho inadequado e perigoso. O processo de inflação de agora começa a alimentar a inflação de amanhã", decreta.
Para o professor, hoje a política monetária brasileira não tem credibilidade alguma, visto a forma com que o governo tem influenciado nas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). "Está sendo realizado um jogo político ruim. Este tipo de fator subjetivo pesa muito quando analisamos índices como o IPCA-15. Empresas, indústrias e outros agentes estão se protegendo de um futuro incerto. No começo do ano, a perspectiva para a inflação era de 6,5%, mas agora já se especula algo em torno de 9,5%. A economia se protege através da elevação de preços".



