O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de março, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 0,73%, puxado pelos grupos de Alimentos e Transportes. Logo após a divulgação, a AE Projeções estimou uma inflação oficial do mês de 0,69%. E há analistas prevendo um IPCA de 6,4% ao final do ano, índice muito próximo ao teto da meta, de 6,5%. Em 2013, a inflação oficial foi de 5,91%.
Uma taxa mensal de inflação ao redor de 0,70% é considerada muito elevada para a meta que tem como centro 4,5% ao ano. Cálculos feitos por analistas apontam que, para chegar ao final do ano com inflação em 5,5%, seria necessário ter uma taxa média mensal de 0,37% até dezembro.
A pesquisa de março mostrou que vários alimentos chegaram ao consumidor com preços mais altos do que no mês anterior, especialmente o tomate (28,53%), a batata-inglesa (14,59%), as hortaliças (12,72%), os ovos (3,07%) e as frutas (2,05%). Em Transporte, destacaram-se o movimento das tarifas aéreas (-20,36% em fevereiro para 27,08% em março), das tarifas de ônibus urbano (0,38% para 1,51%) e a mudança no preço do etanol (0,28% para 3,89%).
"Estamos preocupados com a inflação neste começo de ano. Pelo que temos visto, devido aos fatores climáticos, a pressão sobre os alimentos deve continuar por mais tempo", afirma o economista e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Londrina, Márcio Massaro. Ele diz que a preocupação não se restringe ao clima e ao preço dos alimentos. "Temos a energia elétrica que deve subir até o final do ano e que tem um reflexo muito grande sobre o preço de todos os produtos", ressalta.
Massaro salienta que o câmbio também pressiona os preços e não há expectativas de queda do dólar em curto prazo. "Boa parte dos nossos insumos vem de fora e a valorização da moeda americana aumenta nossos custos", declara. A crise política instaurada com denúncias de corrupção na Petrobras também é preocupante, na opinião do economista, uma vez que não se sabe qual o efeito que ela terá sobre o preço dos combustíveis. "Ainda temos neste período pré-Copa do Mundo um provável aumento das passagens aéreas", afirma o professor.
Economista, professor da Faculdade Pitágoras e responsável pela pesquisa da cesta básica de Londrina, Flávio Oliveira dos Santos também se diz preocupado com os preços. "Torcemos para que não aconteça, mas, se continuar desse jeito, a inflação do ano vai ultrapassar os 6%, o que será muito ruim", declara. Ele ressalta que é de se esperar, nas próximas semanas, uma variação de preços principalmente em produtos hortifrúti. "É um setor muito vulnerável às chuvas", salienta. (Com agências)

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