Considerado a prévia da inflação, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo–15 (IPCA-15) de dezembro ficou em 0,75%, para encerrar o ano em 5,85%. Anunciado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado foi puxado principalmente pela alta nos preços das passagens aéreas, que foi de 20,15%, e da gasolina, de 2,15% para o consumidor.
Juntos, os dois itens tiveram peso de 0,19 pontos percentuais (p.p.) sobre o índice de 0,75%, que foi o maior para um mês pela medição desde janeiro deste ano, quando havia ficado de 0,88%. Apesar de a inflação no ano pelo indicador ficar abaixo do teto da meta estipulado pelo Banco Central (BC), de 6,50%, economistas criticam o fato de o governo federal manter preços administrados defasados para não estourar a projeção.
Houve desaceleração, por exemplo, nos preços do grupo Alimentação e Bebidas, que foi de 0,84% em novembro para 0,59% em dezembro, e em Educação, de 0,09% para zero. No índice anual, porém, os dois tiveram altas acima do teto da meta do BC, ao ficarem, pela ordem, em 8,50% e em 7,90%.
Por outro lado, Comunicação avançou de 0,28% em novembro para 0,92% em dezembro, e Transportes, de 0,39% para 1,17% entre os dois meses. Os dois grupos contêm produtos com preços administrados pelo governo, como a gasolina, e ajudaram a segurar a inflação anual pelo IPCA-15, ao fecharem em 1,63% e 2,65%, respectivamente.
Professor de economia do centro universitário Ibmec, Reginaldo Nogueira afirma que os preços dos combustíveis ainda estão defasados. "O que o governo fez foi uma continha de quanto poderia reajustar a gasolina sem estourar a meta neste fim de ano", diz. Ele lembra que os preços livres afetam mais aos consumidores comuns, de renda mais baixa.
Como houve reajuste no preço da gasolina e também no diesel, o professor de economia Flávio Oliveira dos Santos, da Faculdade Pitágoras, afirma que a tendência é de alta também para os próximos dois meses. "E temos o crescimento do consumo de fim de ano, que faz com que os produtos acabem encarecendo, naturalmente, pela demanda."
Para janeiro, porém, Santos lembra que o índice pode ser mascarado pelos saldões pós-Natal. "Como o IPCA-15 é medido entre meados de um mês e de outro, vai contar um pouco da inflação pela demanda alta e a desaceleração pelas promoções de janeiro."
Para o próximo ano, o professor do Ibmec acredita em repetição do cenário de preços. "O governo vai segurar os preços administrados, que têm um custo fiscal grande, ao menos até a eleição", diz, ao projetar inflação perto de 6%.

Alimentos mais baratos
A redução no preço de alimentos básicos contribuiu para segurar o IPCA-15 em dezembro. O destaque ficou para o feijão carioca (-8,83%), o leite longa vida (-2,84%) e o óleo de soja (-1,42%). Apenas o leite em caixinha teve impacto negativo de 0,03 p.p. no índice final do mês.

Imagem ilustrativa da imagem Prévia da inflação para dezembro é de 0,75%
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