Prévia da inflação oficial desacelera em janeiro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de janeiro, considerado uma prévia da inflação oficial, ficou em 0,67%. O resultado é inferior aos índices de dezembro (0,75%) e de janeiro de 2012 (0,88%). Também ficou abaixo da previsão do mercado, que esperava uma inflação de 0,8%. Em 12 meses, o índice acumula uma alta de 5,63%, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O IPCA-15 utiliza a mesma metodologia do IPCA, índice oficial de inflação do País. A diferença é o período de coleta, que no primeiro se encerra próximo ao dia 15 de cada mês. Por isso, o indicador é tido como uma prévia do IPCA. Em dezembro, o índice oficial havia surpreendido negativamente, fechando o ano em 5,91%, acima do previsto pelo mercado. Em Curitiba, o índice ficou em 0,70% em janeiro, contra 0,76% em dezembro e, nos 12 meses, acumula alta de 5,55%.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, explicou que a principal influência para a queda nesta prévia da inflação foi o recuo nos preços das passagens aéreas que caíram 16,32%. Com esse efeito, o grupo transportes perdeu força e subiu 0,43%, abaixo do 1,17% de dezembro, apesar dos aumentos da gasolina (2,90%), do etanol (4,34%) e do óleo diesel (3,52%).
Por outro lado, os alimentos ganharam fôlego e subiram mais no primeiro mês do ano. O grupo avançou 0,96% em janeiro, após uma alta de 0,59% em dezembro. A previsão é que os alimentos sejam o principal foco de pressão da inflação no primeiro semestre.
Silva disse que as carnes, que subiram 3,91%, ainda sofrem o efeito da alta do final do ano de 2013 e ainda há vários produtos em período de entressafra. Também tiveram aumentos elevados em janeiro produtos como cenoura (16,30%), cebola (14,33%), frutas (4,34%), hortaliças (4,57%), arroz (1,49%), pão francês (1,04%), refeição fora (0,94%) e lanche fora (0,95%). Ele não acredita em queda nos preços dos alimentos nos próximos meses. Isso pode ocorrer só a partir de março ou abril com o início da safra agrícola. O coordenador do curso de Economia da Universidade Positivo, Lucas Dezordi, disse que a alta do dólar também influenciou nos preços dos alimentos.
Outros grupos que tiveram aumento na prévia de janeiro da inflação foram educação com alta de 0,50% e despesas pessoais com 1,31%. Neste último grupo, os itens que mais pressionaram foram excursão (9,45%), cigarro (3,62%), cabeleireiro (1,36%), manicure (1,15%) e empregado doméstico (1,02%).
Redução
Habitação, artigos de residência, vestuário, saúde e cuidados pessoais tiveram redução percentual em relação a dezembro e contribuíram para reduzir o IPCA-15 de janeiro. Vestuário caiu de 0,78% para 0,59% entre dezembro e janeiro, habitação ficou com 0,58% e praticamente estável. O grupo artigos de residência teve queda de 0,57% para 0,49% e saúde de 0,46% para 0,41%.
O economista do Dieese, prevê que a inflação continue em patamar alto nos próximos meses e mantenha o índice entre 5,5% e 6% no acumulado dos 12 meses. Dezordi acredita que o Banco Central terá que continuar a aumentar os juros para frear um pouco a economia. A inflação está cedendo, mas menos que o esperado. Não é motivo para comemorar, disse. Ele também estima que a inflação vai se manter bem pressionada neste primeiro semestre e próxima de 6% ao ano. Para ele, o que pode ajudar a conter um pouco a inflação no segundo semestre é o resultado da safra agrícola. (Com agências)



