Prévia da inflação indica chance de índice negativo
Queda no preço de alimentos puxa resultado para baixo e indicador desacelera para 0,06% até meados de junho
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de junho de 2019
Queda no preço de alimentos puxa resultado para baixo e indicador desacelera para 0,06% até meados de junho
Fabio Galiotto - Grupo Folha 
A prévia da inflação desacelerou de 0,35% em maio para 0,06% em junho, puxada pela redução no preço do grupo de alimentos e bebidas. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15) divulgado na terça-feira (25) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra ainda que houve queda nos gastos médios do consumidor em cinco de 11 capitais pesquisadas, o que indica a chance de deflação até o fechamento do mês.
As análises do indicador em outros comparativos também revela a perda de força da variação de preços. O IPCA-15 havia sido de 1,11% em junho do ano passado, mas é preciso lembrar que a greve dos caminhoneiros gerou alta inflação no período analisado em 2018. Mesmo assim, o 0,06% neste ano é o menor índice para o mês desde queda de 0,15% de 2006. Ainda, o acumulado no ano está em 2,33% e e em 12 meses, em 3,84%.
É a redução de preços de produtos pela chegada de safra ou pela recuperação da produção após problemas climáticos que explica boa parte do resultado. O grupo alimentação e bebidas, que havia fechado maio sem variação de valor para o consumidor, ficou 0,64% mais barato em junho e representou um peso negativo de 0,16 ponto percentual (p.p.) no resultado geral.
Os produtos em destaque foram feijão-carioca (-14,99%), tomate (-13,43%), feijão-mulatinho (-11,48%), batata-inglesa (-11,30%), feijão-preto (-8,84%) e frutas (-5,25%). Por outro lado, o leite longa vida (2,80%) e as carnes (0,64%) subiram e tiveram impactos de 0,03 e 0,02 p.p., respectivamente. A alimentação fora de casa, após a alta de 0,48% em maio, também registrou queda de preços (-0,33%).
Pelo lado do aumento de custos, foi o grupo habitação que mais pressionou o orçamento familiar, com 0,08 p.p.. Os responsáveis foi a média dos aumentos autorizados pelo governo para o gás encanado (3,15%), o gás em botijão (0,34%) e a taxa de água e esgoto (1,16%). No caso da energia elétrica, o índice de 0,64% se refere a reajustes em alguns estados, que perderam força porque a vigência da bandeira tarifária amarela, que previa custo extra ao consumidor, foi trocada pela verde.
Para o consultor econômico da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Marcos Rambalducci, a chance de variação negativa no mês existe, mas "não é ruim nem boa”. “Claro que temos uma menor demanda no mercado pela crise que vivemos, mas essa é uma deflação mais causada pela redução de custos do que pela queda no consumo”, diz ele, que também é professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná).
Rambalducci afirma que uma inflação negativa causada pela falta de consumo seria mais grave. “O que ocorre é que houve queda no custos de produtos que mexem na formação de preços, como combustíveis e energia elétrica, usados no transporte, no comércio e na indústria, e nos preços agrícolas de alimentos.”
Já o diretor do Instituto Datacenso em Curitiba, Claudio Shimoyama, afirma que a possibilidade de deflação se deve também ao comportamento do consumidor. “A queda no preço dos alimentos é sazonal. Ocorreu uma alta lá atrás por menor produção e agora caiu”, diz. “Mas junho tem a característica de registrar aumento de preços em produtos e serviços como viagens, só que vemos que os pacotes de agências de turismo não aumentaram tanto”, completa.
Shimoyama também lembra que os varejistas têm segurado os preços porque o consumidor tem reduzido o padrão de consumo para economizar. “Muitos estão tentando vender para pagar as contas, e não para ter luco, à espera de que reformas e outras medidas destravem a economia.”
Em transportes, o aumento ficou em 0,25% em junho. As passagens aéreas chegaram a aumentar 18,98%, mas apenas devolveram a queda registrada no mês anterior. Mesmo assim, as companhias apenas devolveram a redução do mês anterior. Por sua vez, os combustíveis recuaram 0,67% e a média da tarifa de ônibus urbano aumentou 0,20%.
Outros grupos
O grupo saúde e cuidados pessoais (0,58%) teve índice puxado pelos itens de higiene pessoal, aceleraram de 0,62% em maio para 1,10% em junho e contribuíram com 0,03 p.p. no índice do mês.
Os grupos educação, comunicação, vestuário, despesas pessoais e artigos de residência não tiveram impacto no índice.



