Prévia da inflação fica abaixo de 6% depois de nove meses
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sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A prévia da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) avançou 0,27% em setembro, índice superior ao 0,16% de agosto, mas menor do que o 0,48%, quando comparado ao mesmo mês de 2012. Por isso, o indicador caiu abaixo dos 6% no acumulado de 12 meses pela primeira vez desde dezembro do ano passado e fechou em 5,93%. Os custos do grupo Transportes tiveram o maior peso, puxados pelo fim das reduções sobre as tarifas de ônibus urbano e pelo reajuste nas passagens de avião, que sofre pressão pela alta do dólar.
O preço do transporte urbano registrou quedas de 1,02% em julho e de 1,69% em agosto, mas ficou estável em setembro. Ainda, o custo para viajar de avião subiu 16,08% no mês, o que representa 0,07 ponto percentual dos 0,27% da inflação no período. Isso porque até 60% dos custos das companhias aéreas, representado pelos preços dos combustíveis, de manutenção e de arrendamento das aeronaves, é dolarizado, segundo divulgado no fim do mês passado pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Como a moeda norte-americana chegou a valorizar quase 20% em três meses, o mercado ainda sofre com a flutuação, mesmo com a queda da taxa de câmbio dos últimos dias.
Outros grupos que deixaram de apresentar queda foram Vestuário, que foi de redução de 0,12% em agosto para alta de 0,37% em setembro, e Alimentação e Bebidas, de variação negativa de 0,09% para aumento de 0,04%. O lançamento de coleção de roupas femininas representou reajuste de 0,65% no mês, enquanto derivados de trigo, também influenciado pelo dólar, causaram aumento de custos na refeição, principalmente o pão francês (2,80%), a farinha de trigo (2,68%), o pão doce (1,94%) e o macarrão (1,46%). Ainda, subiram os valores do leite longa vida (2,34%), das frutas (1,88%), do lanche (0,77%) e da refeição consumida fora de casa (0,61%).
Para a professora de economia Fátima Campos, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), existem dois movimentos dentro do País que vão refletir na inflação até fim do ano. O primeiro é justamente a pressão do dólar, que entra na composição de custos de quase todos os produtos. "As empresas ainda não fizeram todos os reajustes que precisam e algumas estão aguardando para repassar aos poucos", diz.
Ela prevê que o preço dos combustíveis seja reajustado até o fim de outubro, para dar fôlego à Petrobras, estatal que tem comprado gasolina por valor maior do que o de revenda no mercado interno, por determinação do governo federal. "A possibilidade existe e aumentaria o custo dos transportes, que tem peso nos preços de praticamente todos os bens e serviços."
Por outro lado, Fátima afirma que o empresário não pode repassar os valores aos produtos, sob o risco de espantar os clientes. "O governo subiu a taxa de juros e o consumidor começa a colocar o pé no freio", diz a economista. Ela considera que a queda na demanda possa evitar a alta de preços e manter a inflação dentro do teto da meta neste ano, que é de 6,5%.
Comércio
Diretor executivo do Datacenso e consultor da Associação Comercial do Paraná (ACP), Cláudio Shimoyama diz que o lojista ainda mantém a confiança em aumento de vendas neste ano, na esteira da elevação do consumo causado pelo Natal e pelas férias de verão. Para ele, a elevação sobre os juros deixa o consumidor relutante em comprar, mas os vendedores criam estratégias. "O comerciante acaba absorvendo um pouco dos juros nos financiamentos."
Apesar da ação do governo sobre os juros, ele não acredita em inflação abaixo dos 6% para o ano. "A Selic sobe, mas o crédito para consumo ainda existe. Tanto que o governo criou o programa Minha Casa Melhor para vender mais móveis e eletrodomésticos", conta.



