A prévia da inflação acelerou de 0,38% em novembro para 0,79% em dezembro, mas encerrou o ano abaixo do teto de 6,50% da meta do governo. No acumulado em 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) ficou quase no limite, em 6,46%. Os números foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os grupos que fizeram maior pressão sobre os preços no período foram alimentação e bebidas (de 0,56% em novembro para 0,94% em dezembro) e transportes (de 0,20% para 1,59%). Juntos, ambos responderam por 0,52 pontos percentuais (p.p.) do índice geral. Ainda, somente dois segmentos não tiveram alta no período de 13 de novembro a 12 de dezembro, na comparação com os 30 dias imediatamente anteriores: educação e artigo de residência.
No caso dos transportes, o preço das passagens aéreas aumentaram 42,42% e impactaram em 0,19 p.p. no mês. Também houve o complemento de parte do reajuste de 3% da gasolina anunciado há mais de um mês, que elevou o IPCA-15 em 0,08 p.p. no período.
Entre os alimentos, as maiores pressões vieram das carnes (4,02%), batata-inglesa (27,20%), cebola (9,83%), e refeições fora de casa (1,37%). Porém, mais cinco dos nove grupos pesquisados tiveram aceleração dos indicadores em relação aos 30 dias anteriores (ver info).
O delegado da regional de Londrina do Conselho Regional de Economia (Corecon), Laércio Rodrigues de Oliveira, afirma que é possível que a inflação em dezembro seja maior do que a identificada até o último dia 12, porque boa parte da população costuma deixar as compras de Natal para a última hora e pode pagar mais caro. "Os itens que estão encarecendo são os que são mais consumidos nas férias, como passagens de avião e gasolina", diz.
Para o professor de economia Sidnei Pereira do Nascimento, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a inflação foi exagerada, porque o IPCA-15 de 2013 ficou em 5,85% e o de 2014, em 6,46%. "Teremos um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) próximo a zero e um aumento da inflação de 10% sobre o índice do ano passado, o que mostra que não está sendo possível controlar a alta dos preços", afirma.
Ambos citam a expectativa de que o próximo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, consiga cumprir a promessa de ter austeridade fiscal, de elevar a arrecadação e de conter a alta de preços. Entretanto, creem que o resultado demore a aparecer. "O próprio governo admite que a inflação não deve cair nos primeiros seis meses do ano que vem", diz Oliveira. "A expectativa é até de crescimento desse índice em 2015, porque se cria um sentimento de inflação inercial", completa Nascimento.
O professor da UEL também criticou o governo por não conseguir cumprir as metas que propõe, como a de inflação e de superavit primário, usado para pagamento de juros de dívidas públicas. Assim, o delegado do Corecon acredita que o Banco Central promova novos reajustes na taxa Selic nos próximos meses. "Isso deve ser repassado aos preços, vai encarecer a dívida interna e dificultar o acesso ao crédito tanto para pessoas físicas quanto para as jurídicas, o que vai desaquecer a economia", explica Oliveira.

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