A inflação prévia medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) dos últimos 12 meses encerrados em março foi de 7,9%. O índice está acima do teto da meta estipulada pelo Banco Central, de 6,5%, e acima do resultado de fevereiro, de 7,36%. O resultado do acumulado dos 12 meses é o mais alto desde maio de 2005, quando o IPCA-15 alcançou 8,19%.
A prévia da inflação oficial para março ficou em 1,24%. O índice ficou abaixo da registrada em fevereiro (1,33%), porém maior do que março de 2014, quando apontou para aumento de preços de 0,73%. E Curitiba registrou a maior inflação em março, entre 11 capitais pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com índice de 1,72%. Os aumentos que mais pesaram na inflação de Curitiba foram energia elétrica (14,89%), ônibus urbano (10,95%) e combustíveis (8,52%). No Paraná, a conta de luz subiu 31,8% e foi o quarto maior aumento entre 58 distribuidoras de energia do País.
De acordo com informações do IBGE, o aumento de 1,24% na prévia da inflação de março pode ser explicado pelas elevações nas contas de energia elétrica, nos preços dos combustíveis e dos alimentos que, juntos, foram responsáveis por 77,42% do índice do mês. Com a elevação da energia, o grupo habitação ficou com o maior resultado no mês de março, com alta de 2,78%.
Individualmente, as contas de energia contribuíram com o maior impacto da inflação com 0,35 ponto percentual do IPCA-15. Os reajustes nas tarifas entraram em vigor em 2 de março. Houve reajuste na bandeira tarifária vigente (a vermelha) que aumentou 83,33% ao passar de R$ 3 para R$ 5,50, quanto nas tarifas com a aplicação dos reajustes extraordinários.
"O cenário de inflação é muito complicado", disse o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki. Além disso, lembrou que outros aumentos programados vão acontecer em 2015 como o reajuste anual da energia que, no Paraná, acontece em junho. O combustível também pode subir novamente com a alta do dólar. Ele acredita em fechamento da inflação neste ano na casa dos 8%, o que considerou muito preocupante.
"Hoje temos inflação de demanda e de custos. Há uma situação de alta dos preços quase que generalizada", disse. Suzuki prevê que a inflação vai ficar abaixo do teto da meta de 6,5% só em 2016 e, para isso, a previsão é que o governo terá que realizar aumentos sucessivos dos juros. "Vai ser política monetária na veia, que é aumento de juros", avaliou.
Na prévia de março, com elevação de 6,25%, os combustíveis exerceram impacto de 0,31 p.p. sobre a inflação do mês, sendo 0,26 p.p. de responsabilidade da gasolina, cujos preços subiram 6,68%. A alta da gasolina reflete, nas bombas, o reajuste das alíquotas do PIS/Cofins autorizado a partir de primeiro de fevereiro e que incidiu, também, sobre o óleo diesel, que ficou 4,05% mais caro. O consumidor passou a pagar, ainda, 5,32% a mais pelo litro do etanol.
Nos alimentos a alta foi de 1,22%, sob pressão de vários produtos importantes na despesa das famílias, especialmente cebola (19,07%), cenoura (18,32%), tomate (13,04%), ovos(12,01%), hortaliças(7,62%) e feijão-carioca (4,17%). Na região metropolitana de Curitiba os preços dos alimentos chegaram a subir 2,38%. Suzuki disse que os alimentos sofrem também com a alta do câmbio.
O professor do curso de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Alexandre Alves Porsse, disse que era esperada uma inflação nesse patamar para março. Segundo ele, alguns analistas já estão prevendo um IPCA de 9% para o fechamento de 2015. Ele lembrou também que, com o dólar em alta, aumenta o custo das empresas que fazem bastante importação.

mockup