A prévia da inflação desacelerou de 0,47% em junho para 0,17% em julho, mas continua a sofrer impacto da variação de preços ligada à Copa do Mundo, que terminou no último dia 13. Enquanto a alta de 28,63% na diária de hotéis puxou para cima o resultado do período, a redução de 26,77% das passagens aéreas ajudou a segurar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar de significar desaceleração sobre o mês anterior, o indicador para o acumulado em 12 meses ultrapassou os 6,50% do teto da meta do governo e ficou em 6,51%. No acumulado do ano, o IPCA-15 está em 4,17%, acima dos 3,52% do primeiro semestre do ano passado.
No mês, sete dos nove grupos pesquisados apresentaram taxas menores em julho do que em junho, o que começa a apontar para uma tendência à estabilidade da inflação, segundo analistas. Quatro categorias tiveram deflação, puxadas por Transportes, que foi de alta de 0,50% no mês passado para queda de 0,85% neste. Além de tarifas aéreas, o etanol caiu 2,71% e a gasolina, 1,09%. Por outro lado, Despesas Pessoais foi de variação positiva de 1,09% para 1,74%, puxada pelas diárias de hotéis.
Alimentação e Bebidas (de 0,21% em junho para -0,03% em julho) também ajudou a levar o índice para baixo. Segundo o IBGE, muitos produtos ficaram mais baratos de um mês para o outro, com destaque para a batata-inglesa (-13,23%), o tomate (-11,63%), o feijão-fradinho (-8,04%), a cenoura (-7,67%), o feijão-carioca (-7,44%), a cebola (-6,36%), as hortaliças (-5,33%), o feijão-preto (-5,32%) e a farinha de mandioca (-4,60%).
O presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes, afirma que a tendência é a inflação ficar como está até o fim do ano, porque o Banco Central já verificou que aumentar mais a taxa de juros poderia reduzir o nível de emprego no País. "A outra solução (contra a inflação) seria economizar por meio de uma política fiscal austera, o que não vai acontecer por conta de possíveis efeitos nas eleições."
Para o delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) em Londrina,
Laércio Rodrigues de Oliveira, ainda existe o fantasma dos preços administrados. "O valor da energia elétrica vai aumentar no País e o dos combustíveis, se não for antes, aumentará depois das eleições, ganhe quem ganhar", diz.
Como contraponto, Antunes vê uma redução nos últimos meses nos preços de produtos no atacado, que chega aos poucos ao varejo. Ele também considera que a inflação sobre serviços tende a desacelerar, diante da queda da demanda.

Novo 7 A 1
O reflexo da inflação no teto da meta aliada aos altos juros é que o crescimento no País tende a ficar em baixa. Oliveira diz que o endividamento das famílias está alto, o que influencia o consumo. Ainda, vê a indústria em processo de diminuição da produção, para evitar que os estoques aumentem demais e que os preços caiam.
Situação que começa a fazer com que a criação de empregos no País seja menor do que em outros anos e até apresente retração no segundo semestre, segundo Antunes. Ele aproveita a proximidade da goleada sofrida pelo Brasil para a Alemanha na Copa, por 7 a 1, para mostrar que a economia nacional também está perdendo de goleada. "É o novo 7 a 1, com a inflação perto de 7(%) e o crescimento, em 1(%)", diz.

Imagem ilustrativa da imagem Prévia da inflação desacelera a 0,17%