Prévia da inflação de novembro sobe menos que o esperado
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quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Idiana Tomazelli<br> Agência Estado 
Rio - Prévia da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de novembro ficou em 0,57% - abaixo do esperado em média pelo mercado e igual ao IPCA de outubro. Com esse resultado, analistas acreditam que há espaço para o reajuste de combustíveis pleiteado pela Petrobras ainda este ano. Por outro lado, a alta mais disseminada preocupa, uma vez que os preços de 70,7% dos produtos pesquisados avançaram na passagem do mês.
O economista-chefe do banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza encarou o resultado como uma boa notícia, pois dá oportunidade ao governo de aumentar o preço dos combustíveis sem comprometer o objetivo de fechar 2013 com uma inflação inferior à de 2012 (5,84%). Em novembro, a taxa em 12 meses ficou em 5,78%, retomando a trajetória de aceleração no fim deste ano.
Apesar disso, a trajetória da inflação continua não sendo animadora, o que faz que o otimismo parcial dos economistas seja contrabalançado por uma boa dose de reserva. A taxa de difusão em 70,7% ajuda a alimentar a preocupação dos economistas, pois é superior à taxa de 67% do IPCA de outubro. "Mais uma vez temos a prova de que o alívio no resultado do índice de preços não é uma indicação de que o processo inflacionário está parado", observou Souza.
Na comparação com o IPCA-15 de outubro (0,48%), o resultado deste mês mostrou uma aceleração puxada por alimentos e bebidas, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sozinho, esse grupo subiu 0,84% e contribuiu com 0,21 ponto porcentual da taxa de inflação, com destaque para as carnes (que subiram 2,34%) e para o tomate (que ficou 23,36% mais caro).
"De fato é uma preocupação. Embora essa volatilidade dos alimentos no período de fim de ano seja esperada, por problemas de oferta, é uma variação muito forte", observou o economista-chefe da Concórdia Corretora, Flávio Combat.
Outro fator que chama a atenção dos analistas é a permanência da inflação de serviços em taxas elevadas. O setor registrou alta de 0,63% em novembro, contra 0,49% no IPCA-15 de outubro. Em 12 meses, a taxa é de 8,70%. "É uma inflação muito alta", destacou o economista-sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano. O resultado supera o teto da meta do governo, de 6,5%.
Reajustes de tarifas também trouxeram impacto para a inflação. O cigarro subiu 1,15%, depois do reajuste médio de 13% em vigor desde 2 de novembro. Por regiões, também foram captados aumentos nas taxas de energia elétrica (1,26%) e de água e esgoto (2,23%) no Rio de Janeiro. Segundo Combat, a pressão desses itens deve continuar ao longo do mês, influenciando o IPCA geral de novembro.
Prévia do IGP-M
A Fundação Getúlio Vargas (FGV) também divulgou ontem números de inflação. A segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) apontou alta de 0,30%, abaixo dos 0,91% observados em igual período de outubro. A desaceleração foi influenciada pelos preços no atacado, que tiveram alta de 0,22%, contra avanço de 1,2% no mês passado.
Na contramão, os preços ao consumidor subiram 0,55%, ganhando força em relação a outubro (+0,36%). O indicador da construção civil teve elevação de 0,27%, contra 0,31% em outubro. (Colaborou Francisco Carlos de Assis)


