Prévia da inflação de abril registra alta de 0,51%
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sexta-feira, 19 de abril de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
Considerando a prévia da inflação oficial de cada mês, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) fechou com alta de 0,51% em abril, o que representa 2,58% no acumulado deste ano e 6,51% em 12 meses fechados no último dia 12. Apesar de pouco maior do que os 0,49% da medição de março, o resultado sobre janeiro a abril de 2013 está bem acima dos 1,87% do mesmo período em 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O item alimentos e bebidas ainda é um dos principais responsáveis pela pressão, apesar de a taxa de variação ter diminuído de 1,40% em março para 1% em abril. O tomate segue como vilão, com ampliação de 9,99% para 16,62% na comparação entre os dois meses. Comum na mesa do brasileiro, o produto impediu que houvesse queda maior na variação de preços de refeições mesmo com a redução da diferença do feijão carioca (11,68% para 7,28%), do óleo de soja (-0,96% para -3,39%), de carnes (-0,62% para -2,58%) e do frango (1,80% para -2,04%). Também tiveram reflexo importante para a alta do IPCA-15 os gastos com habitação (de -0,70% para 0,68%) e saúde e despesas pessoais (de 0,42% para 0,63%).
Professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite afirma que o aumento era esperado porque ainda reflete os custos maiores comuns ao início do ano. Mesmo acima dos 6,5%, tido como teto do centro da meta de 4,5% do governo federal, ele diz que não é possível dizer que a inflação está fora de controle. "Daqui para frente deve diminuir, porque temos uma supersafra de alimentos, período de menos chuvas e de melhor escoamento da produção, assim como fim dos reajustes escolares e de serviços."
Para a professora de economia da Unifil, Maria Eduvirge Marandola, é a partir dos próximos meses que o consumidor passará a sentir o reflexo de desonerações na cesta básica. "Temos influência de questões sazonais, mas colocar toda a culpa no tomate é algo temeroso, porque existem um conjunto de questões que geram essa inflação", conta. Ela considera que a expectativa de inflação por agentes econômicos mantém os preços em alta.
Nesse sentido, o fato de o Banco Central ter elevado na última quarta-feira a taxa básica de juros, a Selic, de 7,25% para 7,50%, funciona como um aviso para os agentes. Leite considera que a influência direta da medida sobre índices inflacionários será pequena, mas que serve como aviso ao mercado. Ele também não crê que a Selic leve a menos investimentos no setor produtivo. "O governo tem buscado melhorar a produção e é preciso esperar as desonerações na folha de pagamento darem resultado."
Medidas como a elevação da Selic mostram que um reforma tributária geral se mostra cada vez mais necessária, apesar de ser considerada difícil de ocorrer, segundo Maria Eduvirge. "É quando se verifica que todos os instrumentos de controle da inflação já foram usados", conta. Entretanto, Leite não espera por uma mudança drástica nos impostos sobre o setor produtivo. "O que ocorre são essas microrreformas", diz, ao citar a desoneração da folha.
Sugestões
Maria Eduvirge afirma que a inflação costuma ser mais prejudicial para famílias de menor renda. Por isso, sugere a substituição de alimentos com preço muito elevado por questões conjunturais. "É preciso procurar comprar sempre produtos de época para diminuir o impacto no orçamento." (Com agências)



