Rio- A Previ, que detém 8,89% do capital total da AmBev, está buscando, junto com investidores estrangeiros da companhia, uma maneira de forçar a redução das perdas impostas ao acionistas minoritários pela associação da cervejaria com a belga Interbrew. O fundo de pensão calcula em R$ 600 milhões a desvalorização de seus papéis (14,7% de ações preferenciais e 0,47% de ordinárias), desde o dia 1 º de março, antevéspera do anúncio oficial da associação entre Ambev e Interbrew.
''Queremos um tratamento mais equânime nos custos e ganhos'', reclamou Luis Carlos Aguiar, diretor de Investimentos da Previ, fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil. Ele vem mantendo contatos diários com investidores que compraram ações da AmBev na Bolsa de Nova York, os ADRs de nível 2. Somente ontem foram quatro. ''Estamos trocando informações com o objetivo de defender nossos interesses'', comentou.
A associação entre as fabricantes de bebidas foi bastante criticada também pelo presidente da Previ, Sérgio Rosa, durante um seminário sobre fundos de pensão. ''Este tipo de operação praticamente anula todo o esforço que a Bovespa tem feito para fortalecer o mercado de capitais'', afirmou. Ele observou que foram significativas as perdas tanto para os minoritários nacionais quanto para os estrangeiros, com desvalorização das ações preferenciais (sem direito a voto) em favor das ações ordinárias (votantes).
A consequência, segundo Rosa, será imediata: os grandes investidores tendem a ser mais seletivos nas participações das empresas, favorecendo as que têm maiores garantias aos minoritários. Aguiar, diretor da Previ, lembra que os minoritários formam 54% da base acionária da AmBev e o anúncio da operação pegou a todos de surpresa.
''A associação mudou o centro de decisão da companhia e toda a sua estratégia irá mudar, o que certamente causará impacto em sua lucratividade''.

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