É véspera de uma data importante do comércio, Dia dos Pais, por exemplo. As filas nas lojas estão enormes e os funcionários dos caixas trabalham sob pressão. Este pode ser o cenário perfeito para a prática do crime de fraude: o criminoso aproveita o momento de acúmulo de trabalho dos funcionários para realizar uma compra fazendo se passar por outra pessoa.
"O momento que os golpistas atuam é o de maior pressão da potencial vítima. O golpista não vai atuar no momento de calma, em que a pessoa tem tempo de fazer a checagem. Vai esperar a sexta-feira, véspera do Dia dos Pais, que o funcionário não coloca em prática todas as medidas preventivas que deveria colocar", afirma o especialista em controle de riscos relacionados a fraudes e outros desvios éticos, de São Paulo, Lorenzo Parodi.
O especialista, que trabalha com consultoria e é autor de livro sobre fraudes, esteve ontem em Londrina para treinamento relacionado ao assunto na Altius Educação, empresa de cursos e treinamentos da cidade. Na ocasião, ele destacou a necessidade de as empresas adotarem processos sistemáticos de prevenção para evitar casos de fraude, que podem resultar em prejuízo de cifras altíssimas.
"As empresas deveriam ter (estes processos implantados), mas na realidade muitas não têm. E mesmo nas que têm, o que se vê é que frequentemente há algum tipo de treinamento - sobretudo no que diz respeito à detecção de cédulas falsas -, mas no dia a dia esse conhecimento não é aplicado de forma sistemática. Então, acabam acontecendo fraudes mesmo com funcionários treinados."
Outro tipo de situação comum vista pelo especialista é a de empresas que possuem ferramentas para detecção de tentativas de fraudes – serviços on-line ou equipamentos para validação de cédulas, cheques e documentos, por exemplo -, mas não fazem uso contínuo. "Usam só quando têm suspeita, uma vez em cada cem. Basear-se apenas em uma suspeita não é eficiente."
Depois que a fraude já ocorreu, as chances de reaver o dinheiro é muito pequena, acrescenta Parodi. "Depois que a fraude já aconteceu, as chances de pegar os fraudadores são pequenas. Por isso a necessidade de se trabalhar com prevenção."
Fraudes muito recorrentes hoje são golpes com documentos falsos, adulteração de cheques e boletos e clonagem de cartão de crédito, exemplifica o especialista. A forma como a empresa deverá trabalhar com a prevenção vai depender da sua área de atuação, mas a base de tudo, segundo Parodi, é "manter uma certa desconfiança em relação aos documentos apresentados". "Todo tipo de documento tem que ser validado. Não pode confiar só no fato de que ele parece verdadeiro. Existem ferramentas para validar, tanto ferramentas on-line quanto equipamentos para validar cédulas, cheques, documento de identidade. E tem que usar de forma sistemática, não de vez em quando."
Em relação às despesas que isto gera às empresas, mesmo equipamentos de validação de cédulas, cheques e documentos, conforme o especialista, têm custo baixo quando comparado com o prejuízo que uma empresa pode ter quando vítima de um golpe. "Dentro do custo que tem uma fraude, é barato."

mockup