Saem as liquidações, entram as novas coleções. Março sempre marca a chegada de novidades nas lojas. E com isso, a troca de coleção tira de cena os biquínis e roupas de verão para dar lugar aos modelos outono-inverno. Não por acaso, André Skaf e Omar Sahyoun escolheram a primeira semana do mês para a edição inaugural do Prêt-à-Porter Brasil, do qual são idealizadores.
Novo conceito em evento de moda, o projeto de Skaf e Sahyoun chega ao mercado de olho no varejo. ''No ciclo da moda faltava um fechamento, agora não falta mais esse elo na cadeia têxtil'', explica Skaf sobre a brecha existente. O objetivo da dupla de empresários, em parceria com a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), é ''unificar lançamentos e liquidações e diminuir os custos''.
A escolha do nome do evento não é à toa. Do francês ''pronto para vestir'', o Prêt-à-Porter não esconde a que veio: estimular o consumo. ''O objetivo é fazer com que se consuma mais nos lançamentos do que no Natal'', avisa o organizador. É por isso que todas as próximas edições deverão ocorrer sempre uma semana antes das novas coleções chegarem às lojas.
Por questões de planejamento anterior, o outono-inverno da Bob Store já estava à venda nas 30 lojas espalhadas pelo Brasil, quando a grife entrou na passarela, no último dia 3. De acordo com Raphael Sahyoun, proprietário da marca, ''o público quer ver a coisa de perto''. ''Se tivesse cinco mil convites, teria distribuído tudo'', completa o empresário, que distribuiu sua cota de convites (cada grife recebeu cerca de mil convites) entre os principais clientes e franqueados.
''Não estou esperando nada dessa primeira edição, mas estou apostando que esse evento vai crescer'', garante Sahyoun. Quem também aposta no crescimento é Nabil Sahyoun, presidente da Alshop. ''É melhor subir a escada devagarzinho do que ir de quatro em quatro degraus'', diz. ''Queremos organizar um calendário efetivo e mostrar a força do varejo'', relata o presidente da Alshop. ''Já está certo que o evento vai dobrar de tamanho na próxima edição, que deve acontecer em agosto ou setembro'', adianta Skaf.
De acordo com os números da Alshop, o Paraná tem hoje 47 shoppings e conta com 5.124 lojas. Outros oito shoppings estão em construção e deverão abrir outras 1.163 lojas em todo o Estado. No Brasil, o número soma 572 shoppings, com estimativa de R$ 48,8 bilhões.
E por falar em números, o Prêt-à-Porter Brasil teve investimentos de R$ 700 mil (divididos entre os patrocinadores Visa, Tam, Philco e Amazônia Fibras Naturais, que bancaram 70%. Os outros 30% foram divididos entre as grifes participantes). No cálculo dos próprios organizadores do evento, a estimativa é que as marcas que desfilaram (Petistil, Zion, Osklen, Lilica & Tigor, Y/Man, Bob Store, Mercearia e Lenny) tenham um aumento de 20% nas vendas.
Das oito grifes o 9º desfile foi do projeto Carência Zero, campanha da Associação Brasileira da Indústria Têxtil em parceria com estilistas de todo o Brasil , duas são participantes da São Paulo Fashion Week e Fashion Rio. ''Não existe concorrência entre eventos. Há diferença entre tendência e produto final'', explica Skaf. É por isso que a platéia do Prêt-à-Porter Brasil é formada por clientes das marcas e não só por imprensa especializada e formadores de opinião, público que lota as primeiras filas da SPFW, maior evento de moda da América Latina e lançadora de tendência por natureza.
* A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento.

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