Folhapress
São Paulo - De forma inédita, cerca de mil entidades representando dezenas de setores vão se reunir hoje em São Paulo em protesto contra a medida provisória 232, que aumentou o Imposto de Renda e a alíquota de contribuição para as empresas prestadoras de serviço. A mobilização será o ápice de um movimento iniciado em janeiro e sem precedentes no país contra a carga tributária.
Os organizadores fecharam o Clube Esperia, na zona norte de São Paulo, para receber os representantes das entidades a partir das 10h30. Segundo a Associação Comercial de São Paulo, o número de entidades inscritas na ''Frente Brasileira contra a MP 232'' pulou de cerca de 400, na manhã de ontem, para mil no final da tarde.
No evento, os presentes devem aprovar um manifesto que será encaminhado diretamente aos novos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado pedindo mudanças na MP 232. Alguns dos empresários que encabeçam o movimento devem viajar pessoalmente a Brasília na quinta-feira para exigir as alterações na MP.
O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, por exemplo, afirma que, além das mudanças na MP, os empresários devem se mobilizar em 2005 para uma campanha contra o aumento de gastos do governo federal. Para Skaf, que esteve recentemente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, ''é praticamente inútil discutir taxas de juro ou câmbio no Brasil quando a raiz de todos os desequilíbrios está nos gastos da máquina pública''.
Também deverá ser entregue aos parlamentares na próxima quinta-feira uma cartilha com reflexos econômicos e sociais, cuja a parte jurídica foi elaborada por um grupo de advogados tributaristas, entre eles Rubens Approbato Machado e Ives Gandra Martins.
De acordo com as entidades envolvidas, o conteúdo positivo da MP, que corrige em 10% da tabela do Imposto de Renda (IR), está encobrindo o lado negativo da medida provisória, que reflete o aumento na base de cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) e do IR retido na fonte para os prestadores de serviços que optarem por pagar com base no lucro presumido.
Além da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), lideram o movimento a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento (Sescon) e o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).

mockup