Nem só de presentes vive o comércio nesse período pré-natalino. Além do varejo, que vê o faturamento disparar no último mês do ano, uma vasta rede de prestadores de serviços e profissionais autônomos registra aumentos significativos de renda nesta época. Em Londrina, com a abertura do comércio até as 22 horas desde o dia 4, donos de estacionamentos, proprietários de lanchonetes e restaurantes, taxistas e outros profissionais pegam carona no movimento de consumidores que as lojas atraem e também reforçam o caixa.
O superintendente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Londrina, Alzir Bocchi, estima aumento de 30% no movimento do setor em relação ao mês passado por causa da grande circulação de pessoas no centro da cidade. ‘‘A partir deste final de semana, deveremos sentir um aumento de mais 10% em comparação com novembro por conta do pagamento da segunda parcela do 13º salário’’, prevê. ‘‘Os consumidores saem às compras e sempre acabam consumindo alguma coisa nos bares, lanchonetes e restaurantes. Muita gente também deixa de comer em casa para associar compras e lazer, jantando em restaurantes’’.
Até os hotéis registram aumento do número de hóspedes nesse período. O diretor do sindicato calcula elevação de 15% em relação a novembro. ‘‘Pessoas da região vêm fazer compras e acabam passando a noite em Londrina’’, afirma. Em comparação com 97, porém, os números do setor não devem sofrer alteração. ‘‘Deveremos repetir a mesma performance do ano passado’’, diz.
Na antevéspera do Natal, um dos donos do Chope Grill, Milton Simões, espera vender mais de 2,5 mil tulipas de chope - a mesma quantidade registrada em 97. ‘‘No mês, calculamos um aumento nas vendas de cerca de 20% em relação ao Natal passado. Por enquanto, estamos vendendo a média de 1,5 mil unidades/dia’’.
O gerente da lanchonete R7 Sorvete Italiano, Rui Rosário, conta que, apesar do movimento ter crescido 50% em relação a novembro, as vendas estão menores do que em dezembro passado. ‘‘O povo consome muita água e refrigerante, que custam R$ 0,50 e R$ 0,70. Mas as vendas de salgados e lanches estão fracas’’, reclama. João Farias, dono do Restaurante Mestre Cuca, contratou duas funcionárias prevendo um grande aumento no número de refeições. Mas o resultado ainda não confirmou as expectativas do empresário. ‘‘Normalmente, vendo 100 refeições por dia e, neste mês, estou servindo cerca de 120. Só que em dezembro passado, vendia 200 refeições por dia’’.
Já os taxistas não têm do que se queixar. Com o horário ‘‘esticado’’ do comércio e graças aos pacotes e sacolas que as pessoas carregam ao final da noite, os seus serviços são requisitados. A gerente da Associação Rádio Táxi Faixa Vermelha, Maria da Glória Oliveira, calcula aumento de 30% no número de corridas em relação ao mês passado. ‘‘Em novembro, a associação fez 20.198 corridas. Até anteontem, registramos 14 mil. Certamente vamos ultrapassar com folga a marca do mês passado’’, calcula. Maria da Glória acredita que também haverá aumento em comparação ao Natal anterior. ‘‘Em dezembro de 97, fizemos 21.728 corridas’’.
Segundo a Associação de Moto-Táxis Norte do Paraná, que reúne 30 empresas do setor, o movimento noturno aumentou 15% depois que as lojas passaram a fechar às 22 horas. ‘‘De dia, houve um crescimento de 5%’’, disse o presidente da associação, Vilson Dalla Costa. Ele também afirma que o movimento está melhor do que no ano passado.
Já o gerente de tráfego da TCGL - Transportes Coletivos Grande Londrina, Jaime da Silva, diz que o número de passageiros é o mesmo do período de aulas. O setor tem um diferencial em relação aos demais: se ganha com o aumento de usuários que vão às compras, por outro lado perde a frequência dos estudantes, que entram em férias. ‘‘Mesmo assim, precisamos aumentar em 15% os ônibus em circulação’’, diz.
Uma das proprietárias do estacionamento Federal Parking, Alessandra Callas, está decepcionada com este Natal. Com quatro estacionamentos na cidade, ela acredita em queda de cerca de 40% do movimento em relação a dezembro passado. ‘‘Cada um dos estacionamentos da rede faturava entre R$ 300 e R$ 400 por dia no mesmo período de 97. A média deste ano tem sido bem inferior, em torno de R$ 200 por dia’’.

mockup