Prestação da CEF terá novo cálculo
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sexta-feira, 20 de dezembro de 1996
Agência Estado,<br> de Brasília 
A Caixa Econômica Federal anunciou ontem que vai mudar a fórmula de cálculo das prestações dos financiamentos que forem concedidos, a partir de agora, para aquisição de casa própria pela classe média. A mensalidade vai ficar mais pesada no início, mas, em contrapartida, não subirá tanto ao longo do prazo do contrato. O anúncio foi feito pelo presidente da Caixa, Sérgio Cutolo. Ele informou ainda que em fevereiro serão colocados à disposição do Programa de Carta de Crédito, destinado à classe média, mais R$ 200 milhões, além dos R$ 800 milhões já anunciados antes.
A nova fórmula de cálculo será aplicada a todos os contratos que envolvam recursos próprios da Caixa. Por isso, em princípio, só atingirá financimentos à classe média, explicou Cutolo. A extensão da medida aos financiamentos concedidos com dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), para famílias com renda até 12 salários mínimos, depende ainda de acerto com o Conselho Curador do Fundo, acrescentou.
O novo método de definição da prestação vai valer inclusive para cerca de 34,5 mil pessoas que já foram selecionadas para assinar contrato no âmbito do programa de carta de crédito, informou o presidente da Caixa. O número de inscritos chegou a 116 mil.
Até então, a Caixa calculava a prestação inicial do financiamento com base na Tabela Price. Por esta metodologia, a amortização do empréstimo é menor no início dos contratos. A maior parcela da prestação, na fase inicial, é composta por juros. Assim, mesmo pagando altas prestações, o mutuário quase não vê seu saldo devedor cair nos primeiros anos.
O nível de amortização mensal, pela Tabela Price, cresce mais nos últimos anos do financiamento, o que acelera muito o aumento da prestação ao longo do contrato, explicou ainda o presidente da Caixa. Ele acrecentou que, na fórmula antiga, a pessoa acaba comprometendo mais renda com a prestação na medida em que o tempo passa.
Abandonamos a Tabela Price. No novo sistema, a amortização vai ser maior no início e menor no final, disse Cutolo. Quando a inflação era a alta e os salários se reajustavam mais frequentemente, o valor da prestação ficava muito defasado e, por isto, não havia tanto problema com a mensalidade. Só com resíduo de saldo devedor ao final do contrato.
Cutolo disse que, na nova metodologia, a prestação será definida e reajustada de forma a não sobrar dívida no final do prazo. Dependendo do caso, o nível de comprometimento de renda com a prestação da casa própria deverá até cair.
Cutolo disse que a intenção da Caixa é aplicar em financiamentos habitacionais a partir de recursos próprios cerca de R$ 3 bilhões até o final de 1997. Serão concedidos não só empréstimos diretos às pessoas físicas mas também às construtoras para produção e comercialização de imóveis. Logo no início de 1997 estaremos assinando os primeiros contratos com as empresas, disse o presidente da Caixa. Segundo ele, já estão previstos cerca de R$ 400 milhões para as construtoras apenas em recursos próprios da Caixa.


