Pressões podem ter motivado confirmação
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sexta-feira, 09 de dezembro de 2005
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Por pelo menos seis meses ou enquanto durar essa queda-de-braço entre os governos federal e estadual, o Paraná vai deixar de exportar carne bovina e suína. Embora o Estado seja o sexto maior exportador do País de carnes bovinas, vai sobrar uma lacuna no mercado internacional. Quem irá assumir esse mercado?
Fontes ouvidas pela reportagem, ligados ao segmento, apontam duas razões para a decisão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em confirmar foco de aftosa no Paraná: pressões internacionais e nacionais, de grandes frigoríficos.
''A OIE (Organização Mundial de Defesa Animal) teria pressionado o Brasil para declarar aftosa no Paraná. Com a credibilidade da defesa sanitária em xeque, a decisão tomada pela União Européia seria embargar toda a carne brasileira'', disse um pecuarista ouvido pela Folha.
Pressões internas também podem ter tido alguma influência, uma vez que os contratos assumidos por frigoríficos paranaenses serão repassados, pelo Mapa, a outras empresas localizadas em outros Estados. ''Agora que critérios o ministério adotou ninguém sabe. É uma caixa preta'', afirmou o economista Gustavo Fanaya, do Sindicato das Indústrias Exportadoras de Carne (Sindicarne). Certamente, segundo Fanaya, haverá uma realocação de todo o mercado e, com isso, poderiam ser beneficiados o Mato Grosso, Goiás e Rondônia.
O Mato Grosso do Sul é o maior exportador de carne do País, mas já foi decretado foco de aftosa. São Paulo, que ocupa a segunda posição, também já sofreu embargos internacionais, assim como o Paraná, antes mesmo de ser confirmada a aftosa pelo Mapa. ''O Mato Grosso teria condições de suprir a lacuna deixada por estes Estados. Há bastante oferta'', afirmou Geide Figueiredo Júnior, consultor do Instituto FNP, empresa privada de pesquisas e análises do agronegócio com sede em São Paulo.
Eventualmente, poderia sobrar algum mercado para o Pará, Rondônia, Bahia e Maranhão. Figueiredo acrescenta que, no entanto, vai ficar a lacuna existente no País dos problemas de defesa sanitária, onde há faltam fiscais, verbas e de técnicos. Ele acrescentou, no entanto, que outros países produtores de carne não teriam condições de assumir, atualmente, o lugar ocupado pelo Brasil no mercado internacional.
''A Argentina e a Austrália seriam os candidatos naturais. Mas o governo argentino aumentou as taxas de exportação de 5% para 15% para frear esse comércio e não ter redução do rebanho. Já a Austrália passou por uma seca forte que acabou com o rebanho e agora terá que manter as fêmeas. Isso, consequentemente, reduz o número de abates e causa queda na produção'', analisou.


