No começo da noite desta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, divulga sua decisão sobre a taxa básica de juros (Selic). Na descrição do órgão no site do BC, afirma-se que o Copom busca, "sempre que possível, o consenso" entre os membros que votam. Mas, ao que tudo indica, uma decisão unânime pode ser difícil de ser alcançada nesta 161ª reunião. Isso porque cresce a pressão do mercado e do próprio governo para uma redução do juro.

Em março do ano passado, quando o juro estava em seu patamar mais baixo (8,75%), o Banco Central começou a elevar a taxa com o aumento do risco inflacionário. Entre julho e dezembro, a Selic foi mantida em 10,75% e em janeiro de 2011, iniciou-se um novo ciclo de alta.

Apesar de a inflação ainda estar em níveis altos, puxada principalmente pelo setor de serviços, a crise internacional causa preocupações quanto a uma parada da economia mundial. Especialistas esperavam queda do juro no fim do ano, mas o anúncio do governo de que irá cortar os gastos em R$ 10 bilhões acima do programado inicialmente fez crescer a pressão para uma redução do juro já neste encontro.

A pressão vem até do governo. Às vésperas da decisão, a presidente Dilma Rousseff afirmou que começa a ver um horizonte para a redução dos juros no País. "Hoje, o Brasil pratica as mais altas taxas de juros", disse.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, disse que o esforço fiscal tem o objetivo de reduzir a Selic."Não vamos fazer prognóstico, mas estamos criando as condições para que, senão agora, reduzir as taxas de juros, que é condição para o desenvolvimento econômico sustentável."

No setor privado, houve manifestações. Cerca de 300 bancários e a CUT protestaram em frente à sede do BC em São Paulo, na avenida Paulista, a favor da redução do juro e contra o aumento do superávit primário. No lado da indústria, a Fiesp disse que se sentirá frustrada se o BC não cortar a taxa básica.

Apesar de todas essas declarações, há dúvidas no mercado ainda se essa será a decisão, principalmente por conta da inflação. O superávit maior anunciado na segunda-feira poderia vir de um corte nos gastos do governo, o que diminuiria a demanda agregada do mercado e, consequentemente, a pressão sobre a inflação. Mas, ao avaliar melhor o anúncio, o mercado passou a questionar a eficácia dessa poupança já que o governo conseguirá um superávit maior porque está com uma arrecadação mais forte e não porque efetivamente irá cortar gastos.

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