Pressão política eleva cotação do dólar em 3,38%
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quarta-feira, 18 de setembro de 2002
Das Agências 
São Paulo O dólar alcançou ontem a sua quinta alta consecutiva, e fechou em alta de 3,38%, a R$ 3,350 para compra e a R$ 3,335 para venda. Essa cotação é apenas 3,3% mais barata do que o recorde do Plano Real R$ 3,47 registrado em 31 de julho passado. A pressão sobre a moeda é política, exercida tanto pelo cenário externo quanto pelo interno. O risco-país, há pouco, subia 4,4%, para os 1.862 pontos, e a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou em queda de 1,49%.
O mercado reagiu mal às duas últimas pesquisas sobre a sucessão eleitoral, à retirada do viés (tendência) de baixa dos juros pelo Copom (Comitê de Política Monetária) e aos boatos sobre o surgimento de denúncias contra José Serra (PSDB) no horário eleitoral.
O Banco Central confirmou no fim da tarde de ontem que vendeu dólares no mercado à vista de câmbio para conter as cotações, sem revelar o montante. A medida serviu apenas para conter a alta, sem conseguir revertê-la.
A Bolsa paulista fechou pelo terceiro pregão seguido em baixa e soma 9.505 pontos. O volume de negócios somou R$ 458,637 milhões, abaixo da média diária do mês passado (R$ 633 milhões).
A alta do dólar ajudou as ações de empresas exportadoras, como a Vale do Rio Doce. As ações preferenciais A subiram 3,25%. Já os papéis ordinários avançaram 3,15%.
Nos movimentos dos investidores ontem, um destaque foi a volta do ''inferno astral'' das ações de bancos, que carregam em suas carteiras títulos públicos. As preferenciais do Bradesco e do Itaú caíram respectivamente, 3,55% e 3,2%.
Quanto mais alto o risco-país, maior a dificuldade de uma instituição financeira local captar recursos no exterior. O risco Brasil chegou ontem aos 1.862 pontos, pressionado pela fuga de investidores internacionais do mercado de dívida emergente. O risco de países como Rússia e México também sobe com força, impulsionados pela perspectiva de uma guerra entre EUA e Iraque e uma consequente crise do petróleo.
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros, o giro financeiro com os contratos de câmbio futuro totalizou R$ 9,695 bilhões (58.653 contratos) ante R$ 12,496 bilhões (77.670 contratos) na terça-feira.


