Pressão pode ter afastado diretor da Copel
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quinta-feira, 29 de novembro de 2001
Ellen Taborda<br> De Curitiba 
O diretor financeiro da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Ferdinando Schauenburg, pediu demissão do cargo. O solicitação de desligamento foi feita na semana passada, após duas tentativas frustradas de venda da estatal na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.
Procurado pela reportagem da Folha ontem, Schauenburg não quis dar entrevista, mas confirmou o pedido de demissão. Ele disse apenas que continua trabalhando e que ainda está discutindo com a diretoria da Copel a melhor data para a saída do cargo. O pedido deverá ser analisado pelo Conselho de Administração.
Esse é o segundo afastamento de um cargo estratégico da cúpula da Copel desde que a privatização passou a ser o tema principal da pauta do governo Jaime Lerner (PFL). Em agosto, o diretor de Relações Institucionais, Deni Schwartz, se afastou do cargo. O motivo, segundo a assessoria de imprensa da Copel, foi para tratamento médico. Ele teria feito uma cirurgia nos olhos e ainda não retornou ao cargo.
Segundo fonte da Folha, o pedido de demissão de Schauenburg foi motivado pelo do fracasso das duas tentativas do leilão da estatal. A decisão também repercutiu na Assembléia Legislativa. O deputado Orlando Pessuti (PMDB) estranhou o fato de cargos de áreas estratégicas da Copel ficarem vagos em um momento crucial, que é o processo de privatização da estatal.
Um outro motivo que poderia ter culminado na demissão, segundo Pessuti, seriam os advisers. Eles estariam fazendo pressão para que a Copel seja vendida ainda neste ano. De acordo com o deputado, os advisers estariam indo atrás de compradores para concretizar de vez o leilão. ''O que nos assusta é a voracidade com que os advisers querem vender a Copel''. Pessuti tem informações que os mesmos estariam fazendo reuniões com os possíveis compradores para obter a garantia necessária exigida pelo governador para marcar um terceiro leilão.
Entre os motivos dessa pressa seria a participação no valor de venda da Copel. Segundo Pessutti, os advisers formados pelo consórcio Diamante e a consultoria Booz Allen & Hamilton do Brasil teriam uma comissão avaliada em aproximadamente R$ 8 milhões, com a venda da estatal.(Colaborou Vânia Casado, de Curitiba)


