O cenário traçado pela ‘‘Sondagem Empresarial da Pequena e Média Indústria’’, realizada pela CNI com 482 estabelecimentos do gênero em 16 Estados, mostra que a pequena indústria está em pior situação que a média, especialmente com relação ao quadro financeiro. No último dia de 1997 as pequenas indústrias pesquisadas (296 entre as 482) tinham o equivalente a 55,8% da sua receita operacional líquida em empréstimos vencidos, contra apenas 8,9% das 186 médias empresas que integraram a pesquisa.
Segundo o coordenador da Unidade de Competitividade Industrial da CNI, Luiz Carlos Barbosa, considerando os empréstimos vencidos em 31 de dezembro de 1997, mais os a vencer até 30 de junho próximo e após esta data (até o final do ano), o comprometimento da receita operacional líquida com empréstimos alcança 72,1% para as indústrias de pequeno porte. Para as médias empresas, considerando esses mesmos períodos, esse comprometimento atinge 52,1%.
O presidente da CNI, Fernando Bezerra, ressaltou que as pequenas indústrias tinham uma situação grave em 31 de dezembro com relação às dívidas vencidas junto a bancos: esse endividamento representava cerca de 80% dos empréstimos tomados pelas pequenas indústrias. Nas médias, esses débitos giravam em torno de 18%.
A situação fica mais grave, segundo Bezerra, porque 48% dos pequenos industriais e 52% dos médios, necessitarão tomar novos financiamentos em 1998. ‘‘Isso é muito sério porque, com os juros altos, a dívida cresce cada vez mais, e o pequeno industrial não tem patrimônio para enfrentar estas dificuldades’’, observou.
Impostos As dificuldades financeiras das empresas também desencadearão outros problemas, alguns deles com reflexo direto no caixa do governo. Conforme a pesquisa, 33% dos entrevistados apontam o não-recolhimento de impostos e encargos sociais como a primeira alternativa para fazer frente à escassez de recursos (37% dos pequenos indicaram esta opção). Em segundo lugar, 24% disseram que atrasarão o pagamento aos fornecedores, enquanto 19% indicaram o atraso de compromissos com os bancos e 6% apontaram a folha de pagamento.
Barbosa explicou que o pequeno empresário está mais exposto à pressão financeira porque, além de só conseguir empréstimos de curtíssimo prazo (30 dias), devido à falta de garantias, se socorre muito do cheque especial. ‘‘O pequeno empresário confunde muito sua vida pessoal com a empresa, por isso acaba pagando os juros exorbitantes do cheque especial’’, disse.
Barbosa explicou que, embora o cenário financeiro seja grave, isso não significa que todos os micro e pequenos empresários irão quebrar. Segundo ele, as microindústrias têm um ciclo de vida naturalmente curto, ou seja, duram em média dois anos, sendo logo substituídas por outras. Além disso, disse que a própria crise impõe ajustes que acabam mudando padrões de comportamento e de competitividade.
A pesquisa da CNI considerou como pequena empresa aquela com até 99 empregados (as micro estão incluídas nesse parâmetro) e médias as empresas que têm de 100 a 499 funcionários. Acima de 500 empregados, estão as grandes indústrias. Segundo dados da CNI, as micro e pequenas indústrias representam 98% dos estabelecimentos industriais do País e respondem por 75% do faturamento do setor industrial.

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