A pressão cambial sobre os preços cresceu e elevou o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) para 0,71% na primeira prévia de julho, contra 0,09% no primeiro decêndio de junho. ‘‘O repasse do dólar está cada vez mais intenso para os preços no atacado’’, disse o chefe do Centro de Estudos de Preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Sidney Cota. O Índice de Preços do Atacado (IPA) registrou variação de 0,83% (contra 0,03% na primeira prévia anterior), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), 0,45% (ante 0,13%) e o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) de 0,70% (contra 0,32%).
O repique no índice na primeira prévia levou Cota a rever sua projeção do IGP-M fechado de junho de 0,60% a 0,70%, previstos anteriormente, para entre 1% e 1,20%. Ele explicou que o indicador está sofrendo pressão do aumento das carnes e dos produtos industriais.
No atacado, os produtos agrícolas tiveram aumento de 1,47%, contra -0,35% na primeira prévia do mês passado. Os reajustes ocorreram sobretudo nas aves (5,75%) e nos bovinos (1,69%), em consequência da entressafra da carne e da recuperação das exportações desses produtos.
O dólar, na alimentação, teve impacto sobre a soja (1,99%) e o milho (2,35%), produtos cotados no mercado internacional.
Ainda no atacado, os produtos industriais sofreram variação de 0,59% (contra 0,18% na primeira prévia de junho) puxados na totalidade pela alta do dólar, que elevou os preços do óleo de soja refinado (6,14%), chapas de aço (6,09%), vergalhões de aço (25%) e tratores agrícolas (5,05%).
No varejo, a alta da moeda americana também começou a pressionar ‘‘pontualmente’’ os preços, com influência concentrada na elevação dos preços das passagens aéreas (5,82%) e nas tarifas de energia elétrica, segundo explicou Cota. Houve aumento também, para os consumidores, na habitação (0,97%), sáúde e cuidados pessoais (0,49%) e transporte (0,53%). A elevação do INCC foi provocada por aumentos na mão-de-obra (1,28%) e em materiais e serviços (0,14%).

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