Presidentes dos países do Mercosul reúnem-se para revitalizar o bloco
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quinta-feira, 29 de junho de 2000
France Presse De Buenos Aires 
A revitalização do Mercosul, estagnado nos últimos anos por causa de repetidas disputas comerciais, será o tema principal da cúpula presidencial que começa hoje, em Buenos Aires. O presidente argentino, Fernando de la Rúa, entregará na ocasião ao presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, a presidência temporária do Mercosul (Mercado Comum do Cone Sul), com a meta fixa de aprofundar o esquema de integração de mais de 200 milhões de habitantes no âmbito deste bloco comercial, criado em 1991.
De la Rúa, FHC e seus colegas do Paraguai, Luis González Macchi, do Uruguai, Jorge Batlle, e do Chile, Ricardo Lagos, mais o chanceler da Bolívia, Javier Murillo, se reunirão hoje para discutir os acordos que já estão sendo discutidos previamente por seus ministros das Relações Exteriores e da Economia.
Como apoio à reativação, Brasil e Argentina, os maiores sócios do bloco e principais protagonistas das controvérsias comerciais, conseguiram na terça-feira, a três dias da cúpula, um acordo para uma política automotiva comum (PAC), setor das maiores disputas na história da união aduaneira sul- americana. O Paraguai se somou também ao regime comum no setor, após se comprometer a colocar em ordem seus registros de propriedade de veículos e limitar a importação de carros usados, antes do início da validade do convênio, possivelmente em julho ou agosto deste ano até 2005.
O Uruguai, por sua vez, mantinha resistências às vésperas do encontro presidencial, ao discordar com a cota externa para autopeças, fixada de 12% a 18% para Argentina e Brasil, enquanto que para os uruguaios seria de 2% e para os paraguaios caberia a limitação da importação de veículos usados.
Para tentar salvar o acordo no setor de veículos, os negociadores de Argentina e Brasil ofereceram ao Uruguai incrementar os acordos para importar autopeças. O regime automotivo cuja liberalização total está prevista para 2006 prevê elevar para 35% a cota de Argentina e Brasil para a importação de carros, enquanto que para o Paraguai e Uruguay ela seria de 23%.
Outro ponto de discórdia é em relação ao açúcar, que também registra competição entre Brasil e Argentina, além de queixas de uruguaios e paraguaios, que também desejam ampliar suas vendas. Mais uma das prioridades do Mercosul, a eventual integração do Chile, é um assunto complicado, que pode se prolongar além da cúpula, diante de tantas diferenças em torno de tarifas comuns, disse à AFP uma fonte da embaixada chilena. O Chile possui uma tarifa alfandegária média de 9%, enquanto que o do Mercosul é de cerca de 14%.
No entanto, a fonte disse que o Chile pode se somar de forma iminente como sócio pleno em outras áreas como a social, a cultural e a legislativa, apesar do cunho comercial predominante no bloco.
De acordo com a agenda oficial, os presidentes deliberarão entre 8h30 locais (mesmo horário de Brasília) e 9h30, no salão Libertador do Palácio San Martín (sede da Chancelaria), e depois serão apresentadas as recomendações da Comissão Parlamentar Conjunta, que deliberava na província de Santa Fé (centro-Leste).
Antes de participar de uma coletiva de imprensa conjunta na residência presidencial de Olivos (periferia Norte), os mandatários assistirão a uma dissertação do Alto Representante da Política Exterior e Segurança Comum da União Européia, o espanhol Javier Solana, que vai falar das perspectivas de integração entre os dois blocos comerciais.


