Presidentes de sindicatos depõem
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sexta-feira, 17 de março de 2017
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A Justiça Federal em Curitiba determinou busca e apreensão na residência e condução coercitiva para depoimento à Polícia Federal (PF) de Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), e de Péricles Pessoa Salazar, presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná (Sindicarne). A FOLHA tentou contato com ambos, que não atenderam ou responderam recados deixados na caixa postal do celular.
Na decisão da 14ª Vara Federal de Curitiba, Martins é citado por ser sócio Sebastião Machado Ferreira, que também é agente de inspeção sanitária em Londrina, da empresa Frango a Gosto. A maioria das transcrições são de conversas de Ferreira com outros fiscais. Sobre Martins, há um telefonema dele com Juarez José de Santana, chefe dos fiscais em Londrina, que pede uma caixa de coxa e sobrecoxa e uma de filé de peito para o mesmo dia. Martins concorda e justifica que os frangos estão pequenos.
Já Salazar é apontado como presidente do Sindicarne e "também parece ser um dos advogados da empresa BRF, pois manteve contato com o lobista daquela empresa e também investigado Roney, tratando de assuntos jurídicos da BRF", conforme a decisão. Em um diálogo entre Roney Nogueira Dos Santos, gerente de Relações Institucionais da BRF, e Salazar, ambos conversam sobre a pressão que a BRF sofria de outra fiscal, para a produção de um documento falso.
Neste sábado (18), a assessoria de imprensa do presidente do Sindiavipar se posicionou com um e-mail enviado à imprensa. Confira a resposta:
1. Domingos Martins compareceu à sede da Polícia Federal em Maringá para prestar esclarecimentos, no sentido de contribuir para a apuração dos fatos investigados pelas autoridades e foi liberado em seguida.
2. Martins destaca que a Frango a Gosto, da qual é proprietário, é uma empresa familiar, que não tem sócios externos. Reforça que não conhece Sebastião Machado Ferreira, citado como suposto sócio da empresa na reportagem, e que portanto esta pessoa nunca participou do quadro societário da empresa.
3. Sobre a doação de duas caixas de carne de frango, Martins informa que o fato realmente ocorreu. Foi autorizado como uma contribuição a evento sem fins lucrativos na cidade de Londrina a um valor de mercado de aproximadamente R$ 60,00. Esse tipo de ação costuma ser autorizado pela empresa quando direcionado a entidades filantrópicas, igrejas, clubes e associações.


