Basiléia, Suíça - A nova classificação de risco do Brasil, promovido a grau de investimento pela agência Standard & Poors na quarta-feira, tende a representar o ingresso de mais capital de longo prazo no País. A análise é de autoridades monetárias presentes à reunião dos presidentes de bancos centrais que ocorre na sede do Banco Internacional de Compensações (BIS), na Basiléia, Suíça. De acordo com os presidentes de BCs do México, da Turquia e da Argentina, o novo rating da agência tende a elevar a demanda por títulos da dívida do Brasil e atrair investimentos com tempo de permanência maior que o do capital especulativo.
Para o Guillermo Ortiz Martínez, governador do Banco Central do México, o Brasil tende a ser beneficiado por uma espiral positiva de entrada de recursos. ''O que está acontecendo com o Brasil aconteceu com o México. Haverá maior demanda pelos papéis da dívida'', disse Martínez, cujo país obteve o grau de investimento da S&P em 2000 e de todas as agências de classificação de riscos dois anos depois.
Ainda em busca do grau de investimento para seu país, o presidente do BC da Turquia também comentou a promoção do Brasil. ''Sim, é muito possível que haja maior ingresso de capital'', avaliou Durmus Yilmaz, em rápida declaração.
Outra autoridade que falou brevemente aos jornalistas foi o presidente do Banco Central da Argentina. Bem humorado, Martin Redrado foi mordaz ao responder se o Brasil poderia esperar mais investimentos com a nova classificação: ''Nós sempre nos contentamos com algumas migalhas'', afirmou, em tom de confirmação.
A reunião do BIS - a primeira da qual o presidente do BC do Brasil, Henrique Mereilles, participa após o novo rating do País - prossegue hoje. O encontro deve ter como tema central a inflação, cujas taxas atuais são as maiores dos últimos 12 meses. No início da tarde, o presidente do Banco Central Europeu e porta-voz do grupo, o francês Jean-Claude Trichet, deve fazer um pronunciamento à imprensa sobre a avaliação das autoridades monetárias acerca da crise internacional iniciada nos Estados Unidos em 2007.

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